quinta-feira, 29 de julho de 2010
Um reacionário em cada esquina
Culpa dele ou não, resultado de um processo de alienação de cinco séculos ou não, a realidade, cruel, é uma só: o nosso povo - assim como o de boa parte deste mundo véio - é altamente reacionário, racista e preconceituoso de uma forma geral.
Não falarei sobre o racismo velado, tampouco de reacionarismo e clientelismo político. Quero ater-me ao preconceito em relação à orientação sexual. Tenho ouvido, em bares e botecos que costumo frequentar para evitar uma clínica psiquiátrica ou barbitúricos para engolir essa realidade estúpida que vivemos, comentários execráveis sobre a liberação do casamento gay na Argentina (antes, quero deixar claro que sou contra qualquer tipo de casamento, gay ou hetero, porque não é comigo esse negócio de papel passado que, como diz o povo, se fosse bom não precisava de testemunha).
Os comentários a que me refiro lembram-me também muitos que pontilharam os sites de notícias quando Michael Jackson morreu, a ponto de um sujeito escrever que "esse viadinho já foi tarde". Sei que Freud explica, pois quanto mais o sujeito reage de forma violenta, verbal e até fisicamente, diante dos gays (detesto este termo, mas fica mais claro), significa que ele tem dentro de si um medo terrível de ceder à vontade de entrar "na onda", mas é no mínimo constrangedor verificar quanta gente ainda é capaz de massacrar um ser humano pura e simplesmente por causa de sua orientação sexual, enquanto baba o ovo de ladrões de casaca e se submete a todo tipo de discriminação e perversidade oficiais, ou não.
Um alerta: a enorme pressão contra o sexo com pessoas do mesmo sexo, pressão esta que aumenta de forma diretamente proprocional aos avanços conseguidos por leis antidiscriminação, tem levado uma multidão de jovens a se casar antes da hora, fazer filhos às pressas, para "provar" à sociedade que são "machos". O resultado se vê a todo momento: crianças abandonadas, marido matando mulher à toa etc. É o resultado de tanta hipocrisia.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
O Brasil mais uma vez atrasado
Foto do filme "Do Começo ao Fim"domingo, 25 de julho de 2010
Vá, Diogo, antes que uma bala "perdida" te ache!
Vá! Se pique, Diogo! Aqui, quem morreu é que se fud...! Se você pode ir, vá! tony pacheCo
Acabo de ver a coluna de Diogo Mainardi em "Veja", esta revista com a qual tenho uma relação de amor e ódio. Amor pelo jornalismo de primeiríssima qualidade. Ódio pelas posições, às vezes, direitistas de seus textos.
Mas, quando li a coluna "Vou embora", de Diogo Mainardi, deduzi, do alto de minha idiotice, que ele deve estar se mudando para a Itália.
Deve ter cansado desta tosqueira que é o Brasil.
Fico dividido por dois sentimentos.
O primeiro, de inveja, pura e simples, de saber que tem alguém inteligente nesta m... de país que consegue escapar daqui sem ter que lavar prato no Primeiro Mundo. Não que lavar prato seja ruim, é que sou alérgico a uma substância que está na maioria dos inseticidas e detergentes, daí não poder levar uma vida confortável de lavador de pratos no Primeiro Mundo, ganhando meus 3 a 4 mil reais por mês, como amigos que tenho em Boston, Montreal, Dublin, Gasglow, Madrid, Barcelona, Viena e Marselha, dentre outros lugares. Todos com nível superior, todos arrumando quartos de hotéis ou lavando pratos e todos ganhando mais do que eu que tenho três diplomas de nível superior neste país, não do Terceiro Mundo, mas do Fim do Mundo...
Então, tenho inveja que Diogo Mainardi vai pra longe desta mer... e eu, não.
O segundo sentimento é de alegria, por saber que um intelectual de primeiríssima linha, daqueles que admiro como admiro, ainda, os textos de Paulo Francis, está saindo da área de perseguição possível do governo semi-totalitário atual e que será, com certeza, totalitário total (com tautologias e redundâncias) a partir de 2011.
Diogo é um felizardo.
A mim, que sou pobre, resta comprar um estoque gigantesco de velas de 7 dias e, de 7 em 7 dias, acender uma e me benzer.
"Santa Maria, Mãe de Deus, eu cheguei na Igreja e me confessei/ Santa Maria, Mãe de Deus..."
Tô fudi...
Eu e mais 192 milhões de oligofrênicos, meus colegas de desdita.
Porque o Brasil não tem mais jeito
Sei que você não gosta de um título desse. Mas se o Brasil pode ter algum jeito será em um futuro muito distante. Vejamos. Um coisa sensata é você só acreditar no que vê, como S. Tomé, no que passa no dia a dia e não o que espertalhões lhe dizem que você está vendo. Parece-me uma obviedade. O que ocorre nesse infeliz país:
1- Elites governamentais se sucedem e, no essencial, mantêm a mesma estrutura que gera recessão, miséria e caos social.
2 - Ficou mais agudo com os Fernandinhos. A elite sucessora, não dou a ousadia de associar socialismo a ela, promove o que está dito aqui ou não altera nada. Existem nos seus partidos quem se diga socialista, mas isso é irrelevante. Que estrutura é essa? Fácil de se perceber a olho nú. Não precisa você ser nenhum especialista. Vamos supor que você ganhe, por mês, líquido, em torno de seis mil reais. Não fique especulando se eu ganho isso. Não seja medíocre tente compreender o texto. Bem, comparando com o salário mínimo não é um salário tão ruim assim. E como você vive então mesmo se for solteirão? Contando os tostões. Possivelmente dividindo em 10 vezes um sapato de oitenta reais. Por que? Porque você já recebe seu salário bruto descontado em torno de setecentos reais. Depois precisa lutar para reaver alguma coisa. Se tiver uma casa pagará um IPTU que é quase um aluguel. Casa vagabunda. Apartamentozinho de merda, hem! Se tiver um carro, por mais ordinário que seja, pagará um IPVA caríssimo e, um seguro, porque inexiste segurança nas nossas cidades. A gasolina é caríssima, uma das mais caras do mundo. A telefonia também. A internet a mais cara, mais lenta, mais ordinária do mundo. Energia e água, nem se fala. O transporte urbano na Colômbia e no Equador, disse Colômbia e Equador não Holanda e Dinamarca é o equivalente a um real e pouco e eles têm o mesmo valor do salário mínimo que nós. Se você, nessa cidade de muita dor, trafegar, em um dia, em quatro ônibus gasta mais de nove reais. Equivale a um almoço e um jantar populares. E ninguém nem chia com isso. Muito menos o governo socialista ou não. Seus filhos ou parentes, sobrinhos etc não conseguem emprego são concursistas há anos. Não há quase nenhum emprego para ninguém. É a recessão. Acabaram pequenas empresas. Ninguém é louco para abri-las. Vai gastar uma fortuna e até para fechar torna-se um desespero e gastos e mais gastos. Não estou incluindo o dinheiro gasto por fora... Loja aberta significa assalto. Só quem parece que emprega nesse país são os traficantes. Nós somos um dos países mais violentos do mundo. Daí a vida terrível que você passa. Para sair para jantar com amigos a conta, mesma dividida, pesa. Tudo aqui é de baixa qualidade e muito caro porque o Estado cobra impostos sobre tudo e cada vez mais. Para quê? Para as elites que se sucedem terem patrimônios fabulosos, favorecer amigos e parentes como os políticos que foram obrigados a revelar, declararam na imprensa. Quer dizer, o que está no nomes deles. E o povo? O povo é o assunto da próxima postagem. Ah! me esqueci. Tem de pagar um seguro saúde caro que vai lutar para não lhe atender. Nessa cidade de muita dor, mesmo com o seguro saúde pago, não se tem vaga nos hospitais. Precisa pistolão, paciência e muita reza. E quando se consegue a chance de dar entrada no hospital, principalmente se for idoso, corre o risco de morrer de pneumonia e nada ocorrerá com quem lhe matou. Nem o sistema nem o hospital serão investigados e processados. Já está ficando comum idosos morrerem de pneumonia nos hospitais da cidade de muita dor e nas outras do pais. Ninguem investiga. Descrevi o inferno ou não? Pergunto a você, se não tomou cretinil, dois ou três comprimidos ao dia ou está mamando nas tetas da elite dominante algumas migalhas, incluo você Petilda e também Brasilino: é ou não é a falência de qualquer resquício de civilização. Estou mentindo? E tem mais, essa estrutura, que ficou aguda com os Fernandinhos, não foi nem arranhada pelos subsequentes e, ganhe quem ganhar as eleições, continuará a mesma com tendência a piorar. Satanás está retirando seus domônios mais queridos, e são muitos nesse país, antes das eleições. Só vai mandar para cá os que ele quer punir...
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Quando é que o Brasil vai ficar pronto?
Note que não há acostamentos e os caminhões acabam espremendo os carros menores. Eu teria vergonha de presidir o Brasil e deixar esta situação na maior rodovia do País.
tonY PAcheco
Ao viajar pra fora do Brasil, o que mais me impressionou, tanto nos EUA, por duas vezes, e na Europa, foi o fato de que a infraestrutura dos países desenvolvidos era infinitamente melhor que a brasileira.
Viajar de automóvel de Miami, na Flórida, até Washington, por rodovias de concreto em vez de asfalto de até 10 faixas de rolamento ou de Lisboa até qualquer capital da Europa por trem ou de automóvel impressiona, pois está tudo pronto lá, à disposição dos cidadãos comuns. Não se vê estrada ou linha férrea sendo construída. Eles já passaram por isso.
Pano rápido.
Corta para 1986, quando comprei meu primeiro carro zero quilômetro. Sarney era presidente da República e Dilson Funaro (já falecido) era ministro da Fazenda. Eles lançaram o Plano Cruzado e como tenho formação em Economia pela Universidade Federal de Juiz de Fora e também pela UFBA, o pouco que aprendi me dizia que o Plano Funaro era um Plano “Furado” e publiquei um artigo sobre isso em “A Tarde” graças à paciência de Cruz Rios, então secretário de Redação.
Como sabia que era um plano furado, procurei logo comprar meu carro zero enquanto tudo não ia por água abaixo, como alguns meses depois acabou indo.
E, nisso, realizava um sonho de infância que era sair dirigindo meu próprio carro pelas estradas do Brasil.
TUDO EM OBRAS
Peguei meu Santana Quantum 1986, zerinho, e me joguei na Rio-Bahia (BR-116) com um amigo tenente do Exército para o revezamento ao volante. Destino: Minas Gerais. Percurso:
Nunca me esqueço que o que mais me chamou a atenção foi a pobreza das populações à beira da Rio-Bahia, principalmente na Bahia.
O outro fator de destaque foi a quantidade de trechos em “obras de recuperação” e a quase ausência de acostamento tanto na Bahia quanto
Para uma rodovia que é o maior eixo rodoviário do Brasil, com
A partir de 1986, todos os anos, uma ou mais vezes por ano, sempre fiz este percurso.
PRESIDENTES OMISSOS
Viajei todos os anos, passando pelas administrações de Sarney, Collor, Itamar, FHC (oito anos) e, agora, Lula (sete anos e meio).
Tenho a testemunhar que todos, sem exceção, nada fizeram de extraordinário por esta rodovia que nasceu entre Rio e S. Paulo pelas mãos do presidente Washington Luiz, em 1928, aquele que dizia que “governar é construir estradas”.
FHC, por exemplo, passou oito anos no poder e a única coisa que fez de relevante pela BR-116 foi abandoná-la nas mãos de uma malta do então DNER que vivia anunciando “milhões em investimentos rodoviários” que nunca chegavam às estradas.
Lula foi no mesmo caminho. Há menos de cinco dias retornei de uma viagem por quase 4 mil km por esta rodovia e só o que vi foram as eternas obras pré-eleitorais de recapeamento. Nada de duplicação (como já foi feito entre Rio e S. Paulo e S. Paulo e Curitiba), nada de acostamentos no mesmo nível da pista principal, nada de sinalizações horizontal e vertical de confiança. Sempre o mesmo asfaltozinho rastaquera que esburaca nas primeiras chuvas.
Lula tem apenas um diferencial, como está apavorado em não perder a eleição para sua candidata-mamulengo, encheu a estrada de trechos de recuperação do asfalto, atrasando a viagem com obras de fachada que não mexem no fundamental, que seria a duplicação e correção de curso (para economizar, segundo alguns, mais de
RESUMO DA ÓPERA
O Brasil tem uma classe política incompetente, que chega ao poder representando apenas as classes dominantes que também são incompetentes e descompromissadas com o desenvolvimento do País. Parecem classes dominantes coloniais, que estão aqui apenas para explorar o povo e as riquezas para ir gastar os lucros nas metrópoles (Nova York, Miami, Paris, Londres, Madrid ou Roma).
Por isso nossa infraestrutura é ridícula, até mesmo se comparada com os emergentes Índia, China e Rússia, todos com ferrovias, rodovias, portos e aeroportos em maior quantidade e melhor qualidade que os brasileiros.
Bem, já são 34 anos rodando pelo Brasil. Depois de três décadas e meia de espera, uma coisa já tenho certeza: NUNCA VAI MUDAR.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Os desavisados e o filho único
Gandhi e Frank Sinatra eram filhos únicossegunda-feira, 19 de julho de 2010
África do Sul volta a seu pesadelo social
Os bilionários cartolas do futebol mundial e as não menos ricas empresas que têm produtos ou serviços ligados à Copa do Mundo insistem em tentar fazer crer que o evento traz enormes vantagens para o país sede. Balela.
Vejam, por exemplo, o caso da África do Sul. Além de ficar com faraônicos estádios para fazer sabe-se lá o quê, o país voltou à sua problemática rotina no dia seguinte à partida final. Mal o espanhol Iker Casillas abaixara a taça levantada na final contra a Holanda, e o governo sul-africano ocupava regiões paupérrimas de Johannesburgo, com o intuito de controlar a tensão gerada por ataques xenófobos contra imigrantes.
Terminado o sonho da Copa e silenciadas as vuvuzelas, o sul-africano voltou ao pesadelo de milhões de desempregados, de outros tantos milhões morrendo de Aids e de uma desigualdade social abissal.Jacob Zumba, o presidente, conforme informações de reportagem do Estadão, já fala em sediar as Olimpíadas de 2020 e, não se sabe tirando de onde tal ideia, afirma que "não há preço para o que ganhamos ao abrigar essa Copa." Bem, na verdade preço foi o que não faltou: dados do próprio governo dão conta que, entre o previsto em 2004 e o final das obras em 2010, o custo da Copa sul-africana aumentou em nada menos que 11 vezes, num gasto que, conforme cálculos de ONGs locais, daria para construir casas para 12 mihões de sul-africanos (população que vive em favelas no país).
Mas quem foi lá para gerenciar o circo e subir no picadeiro, ou seja, os cartolas e os jogadores, saiu numa boa, melhor do que já estava, já que a Fifa arrecadou a bagatela de 3,2 bilhões de dólares (sem pagar um centavo de imposto, como será também aqui no Brasil) e os jogadores que mais se destacaram, assim como os noviços que se revelaram, tiveram suas cotações ciclopicamente aumentadas na bolsa mundial de craques.Então, caros leitores, fica patente, mais uma vez, que a Copa do Mundo é mesmo um grande circo para engabelar o povo e enriquecer cartolas e empresas outras que faturam (e superfaturam!) com seus negócios. O resto é papo furado pra bandeirinha dormir.