quarta-feira, 30 de junho de 2010

Marina e bispos argentinos gostam de plebiscitos

Olhem o cartaz da campanha antiminarete na Suíça. Colocaram os minaretes parecendo mísseis, para convencer o povo que todo islamita é um terrorista. E convenceram, pois o povo é oligofrênico.


TOny pachecO

Marina Silva, candidata do PV (quem foi o PV...) à Presidência do Brasil, acuada diante de assuntos que estão na agenda do País, como aborto, casamento de pessoas do mesmo sexo e legalização da maconha, saiu-se com um apelo a plebiscitos. O mesmo discurso usado pelos arcebispos e bispos da Igreja Católica na Argentina, que estão revoltados com o fato de o casamento entre iguais estar sendo discutido no Parlamento em vez de nas ruas.
Plebiscito é uma falácia. Se dependesse deles, o Brasil seria escravocrata até hoje. Imagine os eleitores do Império se manifestando sobre se queriam ou não a escravidão dos negros. É óbvio que diriam sim à continuidade da excrescência escravocrata.
Os países só avançam em suas instituições democráticas se seus dirigentes tiverem coragem e discernimento.
Veja-se o caso recentíssimo da Suíça, um dos países mais civilizados de toda a História da Humanidade.
Colocaram os suíços para votar num plebiscito que não tem nem um ano ainda, e lhes foi perguntado se queriam a proibição de minaretes em seu país. Minarete é aquela torre nas mesquitas (o templo islâmico) na qual os muçulmanos chamam os fiéis para as orações do dia.
Que o Islamismo é uma religião fascista, todo mundo sabe que é.
Que os muçulmanos são inimigos das mulheres de todo o mundo, as humilham, castram e mantêm na servidão, todo mundo sabe.
Que enforcam homossexuais, todo mundo sabe.
Que perseguem qualquer tipo de oposição religiosa ou política, até as pedras do Pelourinho sabem.
Mas, nós, no Ocidente, não podemos nos igualar a iranianos, sauditas ou yemenitas, gente que ainda vive como se a História estivesse congelada no século sétimo depois de Cristo.
Somos uma sociedade que avança justamente porque a democracia se tornou o modo como nos organizamos politicamente. E democracia pressupõe que elejamos os melhores dentre nós para legislar em nosso nome e, assim, fazer avançar (mesmo que aos trancos e barrancos) nossa sociedade.
Pois é, os suíços, resolveram que a democracia deles deveria ter a participação direta do populacho e neste ano da graça de 2010, está proibida a construção de minaretes na Suíça. Uma medida preconceituosa, nazista, racista e antidemocrática, pois, intolerante em relação à religião islâmica. Mas, a medida foi apoiada por 57% dos suíços.
Agora, veja-se a Argentina: se os prelados católicos convencerem os políticos a convocarem um plebiscito sobre o casamento entre iguais, já se pode antever a proibição.
E, no Brasil, país de maioria católica e, agora, com uns 17% de evangélicos de quebra, imagine propor um plebiscito para legalizar o consumo de maconha. Vai dar 90% de rejeição, com certeza.
O povo, na maioria dos países, é mantido na mais abjeta ignorância. Numa ignorância planejada pelas classes dominantes e, ao povo, não deve ser dado nenhum poder legislativo, pois, se não, voltamos à Idade das Cavernas. Por isso, a Espanha, numa penada só, decidiu legalizar o aborto e o casamento entre iguais, de uma penada só mesmo, pois, como país católico mais conservador do mundo, sabia que se fossem os dois assuntos colocados em plebiscito, seriam rejeitados.
Olhem, bispos argentinos e D. Marina Silva, vão todos para o Diabo que os carregue.

domingo, 27 de junho de 2010

Sintomas da Miséria



Ricardo Líper

O que existe e sempre existiu em política é você viver na miséria e os poderosos, através da ideologia, lhe convencendo que você está no melhor dos paraísos. Nós nunca escapamos a isso. Se lembra do Pra Frente Brasil da ditadura militar? Nem me lembro direito a imbecilidade da época. Pois é. Um dos sintomas da nossa miséria e da absoluta dificuldade de se conseguir algum emprego e de oportunidade de qualquer pessoa fazer qualquer coisa para ganhar honestamente dinheiro é você não poder estacionar um carro e um miserável aparecer, sob o pretexto de tomar conta, ganhar ou exigir algum dinheiro. É coisa daqui. Brasilidade. Essas pessoas não têm nenhuma culpa. Conheço uma moça, educada, com segundo grau e que vive com a mãe de guardar carros, como se diz. Já tentou conseguir empregos, é concursista juramentada e nada. E Zezinho Brasilino e Petilda acreditam que estamos no melhor país do mundo.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Crônicas da Copa: Dunga e Kaká

Futebol e arte, combinação indigesta


Dunga e Kaká, tão preocupados, tão tristes.


Luciano Genonadio*

Como diria o compositor Gabriel, O Pensador, “Cara feia pra mim é fome, cara alegre é a cara de quem come”. É a única explicação para tanto mau humor por parte do treinador da Seleção Brasileira, o ditador Dunga. Desde que assumiu o comando da maior e mais vitoriosa seleção do cosmo, Dunga causa polêmica com suas atitudes e demonstrações públicas de falta de educação.
E na Copa da África não está sendo diferente. Que futebol-arte não é o forte do capitão Dunga todo mundo já sabe, agora se descobriu que educação também não faz parte da realidade dele. Dunga esqueceu que a Seleção Brasileira não é nenhuma seleção européia. Treinar um time pentacampeão não é fácil. A maior parte dos brasileiros ama a Seleção e o esporte.
A prova disso? Pergunte a uma criança brasileira qual o seu maior sonho? Com certeza muitas irão responder: “Ser um jogador de futebol”. Se isso é verdade? Bem, não conheço nenhuma pesquisa que comprove, mas uma coisa é fato inegável, o futebol é, sem sombra de dúvidas, uma paixão nacional. Se os franceses lotam o Louvre para apreciar quadros de Picasso, Monet e Da Vinci, no Brasil a arte é pintada por gênios como Robinho, Ronaldinho Gaucho, Pelé, Zico, Rivelino e Garrincha e exibidas nos estádios de futebol.
A alegria é a palavra que sempre norteou o futebol brasileiro. A essência do jogo brasileiro é a arte, o toque rápido, a diversão em jogar bola, a molecagem e malandragem sulamericanas e Dunga tem privado o povo brasileiro desse prazer, que só é alcançado de quatro em quatro anos, e o técnico acha que só tem a obrigação de ganhar. A Seleção tem uma reputação a zelar, a de ter o futebol mais belo do mundo, jogar na Seleção está muito além de ter seis ou cinco estrelas, somos o melhor futebol do mundo.
O time que foi montado é competitivo, pode sim ser campeão do mundo, tem boas chances, afinal, é o favorito. Contudo, o povo espera mais que o título, espera ser o melhor em todos os aspectos, espera ver a alegria nos seus jogadores e o prazer de jogar. Há muito não se vê os jogadores da Seleção sorrindo, jogando, brincando de ser feliz com seu trabalho, tal como a Seleção Portuguesa na goleada de 7x0 sobre a Coreia do Norte.
O comportamento de Dunga o enquadra como ditador, uma pessoa que não aceita críticas e totalmente arrogante e mal educado. Diante dessas características fiquei perguntando qual profissão ele deveria ter para não ser criticado. Encontrei duas: ser um monge tibetano e se isolar no alto de uma montanha (e, mesmo assim, ainda correria risco) e a outra é continuar como treinador, só que da Coreia do Norte.
Em 18 copas tivemos os seguintes treinadores: Píndaro de Carvalho, Luiz Vinhaes, Ademar Pimenta, Flávio Costa, Zezé Moreira, Vicente Feola, Aymoré Moreira, Zagallo, Cláudio Coutinho, Telê Santana, Sebastião Lazaroni, Carlos Alberto Parreira, Luiz Felipe Escolari e Dunga. Todos vencedores, alguns campeões. Em 1958, Vicente Feola ganhou o primeiro título para o Brasil, e surpreendeu o mundo com um craque de 16 anos, seu nome, Pelé. Se Dunga fosse o treinador, será que Pelé seria o Rei do Futebol?
Fica a dúvida, pois a única certeza que tenho é que a nossa sexta estrela será brilhante como todas as outras, porém, será triste e emburrada como o “Zangado” Dunga. Só nos resta lembrar os craques que foram craques e não os fabulosos que são fabulosos também nas mãos...
Alguém tem um Sonrisal para Dunga? Futebol e arte tem provocado uma indigestão muito forte nele.

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O dia em que não jantei com Kaká

ToNy PacheCo

Kaká entrou na onda de Dunga e começou a brigar com a imprensa também, insinuando que Juca Kfouri teria alguma má-vontade com ele, talvez porque Kaká é de igreja evangélica. Acho que ele não deveria seguir os passos do treinador, que é um mal educado reconhecido.
A lembrança que tenho de Kaká é a que me foi passada há uma década, mais ou menos, por um amigo de “família nobre” da Bahia que foi cicerone de Kaká em viagem a Salvador.
Naquela época, ainda se sabia que o nome do jogador era Ricardo Izecson dos Santos Leite e Kaká se escrevia “Cacá”, assim mesmo, com C. Ele jogava no São Paulo. Iniciava a carreira e, inteligentemente, em todo lugar que ia procurava contatos com a mídia para tornar-se mais conhecido. Meu amigo fez contato e eu era editor do caderno dominical de “A Tarde”, o “Lazer&Informação”. Ciente que já tínhamos entrevistado o jogador Zanata, meu amigo pensou: “E porque não dar uma contracapa do caderno Lazer para o iniciante Cacá, que despontava no São Paulo?”
Na época "A Tarde" era o maior jornal do Norte/Nordeste e, aos domingos, estava entre os cinco maiores do Brasil. Infelizmente, este tempo passou.
Só que Cacá, meu amigo advogado e eu demos um azar triplo, pois as entrevistas em relação a esportes eram definidas eu ouvindo Clécio Max, o maior especialista que conheço em futebol. Max estava de férias e fiquei sem referencial sobre se devia ou não dar tanto espaço a um jogador de futebol paulista.
Meu amigo advogado queria marcar um jantar a três no qual eu entrevistaria o então Cacá. Eu preferi não, pois como não entendia nada de futebol, corria o sério risco de entrevistar um jogador inexpressivo. Acabou meu amigo jantando com o jovem jogador em Salvador, Cacá conheceu a culinária baiana e eu, hoje, tanto tempo depois, só tenho a lembrança do dia em que não jantei com o hoje famosíssimo Kaká.


* Luciano Genonadio escreveu a convite de Tony Pacheco, é estudante de Jornalismo e conhece futebol, além de escrever bem.

Quando os brasileiros acordarem

Alex Ferraz

Gostando ou não, torcendo ou não, acabamos todos envolvidos pelo avassalador tsunami da Copa do Mundo, que invade nossas casas, monopoliza a atenção em bares, repartições, restaurantes, hospitais e penetra, discretíssimo, até em velórios. Concordando ou não com a obrigatoriedade do voto, acreditando ou não nos políticos que se põem na vitrine das urnas, somos todos tomados também pelo tsunami (às vezes de lama) que são as eleições, principalmente quando em nível de presidente da República. Embora os mais esclarecidos saibam que a máquina que governa de verdade e controla a economia, que é o que interessa, é uma só, passível de minúsculos e muitas vezes insignficantes ajustes, e que a cena política é para nos distrair desta cruel realidade, acaba-se crendo que realmente algo muda quando mudamos o homem no Planalto.
Este ano temos os dois tsunamis. Até a partida final para o Brasil, que pode ser na quartas de final, na semifinais ou na final, lá vai o brasileiro sonhando com um troféu no qual jamais tocará nem dele terá um grama do ouro para amenizar suas agruras. Passado o futebol mundial, e mesmo ainda enquanto durar a parte final da competição, vem a campanha eleitoral. Promessas, xingamentos, mais promessas e meras ilusões.
Quando, finalmente, os brasileiros acordarem, com hexa ou sem hexa, com Lula ou Serra, perceberão que continuam amargando filas enormes para tentar vaga num hospital público, que a qualidade do ensino público continua de mal a pior, que o esgoto a céu aberto na sua favela continua jorrando, que a juverntude continua tombando vítima de balas, que o salário mínimo é uma piada de pouco mais de 500 reais e que a vida, para a maioria da população desta terra tropical, continua uma rotina infindável de desilusões, de promessas de bilhões que nunca chegam, de tostões que se vão. E aí vamos esperar uma nova eleição, uma nova Copa (êpa, vai ser aqui!) e assim por diante, até o cemitério.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

S. João, interiozão, hora de dar um risão...


ANARRIÊ, "PRALAMENTARES"!!!


O Senador perguntou ao jornalista - Por que Brasília foi escolhida a capital nacional do forró e das festas juninas?

E o jornalista, na lata - Porque tem quadrilhas o ano todo.

Melhores e piores...
Dois tabaréus estão conversando, quando um pergunta:
- Cê sabe me dizê quais são as mió coisa do mundo?
- Boi na invernada, cerveja gelada e muié pelada!
- E as trêis pió?
- Boi doente, cerveja quente e muié da gente!

VAI QUE É SUA

O tabaréu de Itapetinga leva a sua vaca para cruzar com o touro da vizinha de Itambé.
Depois de ajudá-los no que podiam, os dois ficam ali, pendurados na cerca, olhando os animais transarem.
Aí o tabaréu de Itapetinga, muito do malandro, olha com malícia para a vizinha e comenta:
- Cumadre, eu tô doidinho pra fazer aquilo que o seu touro tá fazendo com a minha vaca!
E ela:
- Entonces vai lá, cumpadre! A vaca não é sua?

FUTIBÓR

O zé estava andando pela roça, quando de repente ele passa pela casa do cumpade Jão, que estava assistindo ao jogo de futebol do Brasil na Copa.
Zé pergunta: "Firme, Jão?!
Jão responde: "Né não, sô! É futiborr!"

Tabaréus na cidade...
O casal de tabaréus velhinhos resolve finalmente deixar o torrão natal para visitar a capital.
Eles estão num shopping e assistem a um desfile de moda para apresentação da coleção de maiôs e
biquines de uma grife. Vendo esse espetáculo, o marido fica com os olhos literalmente arregalados.
A mulher passa-lhe um sermão:
- Ei Tião, parece inté que ocê nunca viu perna e peito de mulé antes!
O tabaréu, na lata, responde:
- Sabe que eu tava pensano a merma coisa, muié?


NÃO É PRA CRIAR...

O tabaréu entra numa loja de material de construção e pede:
- Ei, moço... cê tem aí uma tomada?
- Você quer uma tomada macho ou fêmea? - pergunta o balconista.
- Sei não, seu moço! Eu queria uma tomada pra acender a luz e não pra fazer criação!

MANGA COM LEITE

O tabaréu tava lá, em Amargosa, desconfiando que sua namorada, a mulher mais gostosa da cidade, tava excitada demais com o S. João cheio de turistas na cidade. Durante a festa ele resolveu seguí-la. Ela saiu de casa com um vestido bem leve e foi até a praça principal cheia de árvores.
O tabaréu desconfiado ficou olhando bem de longe, pra não dar bandeira. Sua namorada andava na direção de um homem, que estava chupando manga debaixo de uma enorme mangueira, mas ele não conseguia ver o homem direito.
Então ela parou debaixo da árvore com o sujeito, começou a conversar e logo estava sem roupa. O tabaréu ficou furioso e foi correndo atrás deles.
- Você vai morrer! Você vai morrer! - gritava o tabaréu, desesperado.
Quando foi chegando mais perto, viu que o cara era um negão da capital de uns 2 metros de altura e 1,5 de largura.

O negão, que estava chupando os peitões da tabaroazinha loira, se levantou e disse:
- E quem é que vai me matar? Você, seu baixinho magrelo?
- Não senhor - disse o tabaréu - É que o senhor chupou manga e agora tá tomando leite. Isso aí mata, viu?



* pela transcrição e adaptação, TONY PAcheCO

terça-feira, 22 de junho de 2010

Saramago. Uma voz contra o fascismo português.

José de Sousa Saramago


Ricardo Líper



A natureza é essencialmente assassina. Mata o que cria, como já disse dias atrás. Quando um ser não assassina o outro, no que incluo bactérias e vírus, ela trata de eliminar cada organismo que cria nos tempos que estabelece para eles viverem. Bactérias não têm consciência disso. Nós temos, daí nossa angústia, que disfarçamos, nos esforçando para a aliviar, esquecer disso no dia a dia.
Daí, Saramago se foi. Ele foi uma das vozes contra a beatice e fascismo de Portugal. Um país lamentável, por ser reacionário sempre e, ainda hoje, é. O povo é racista, beato e em grande parte saudosista do período de Oliveira Salazar.
Saramago disse não e combateu a beatice fascista desse país o quanto pode, se exilando nas Ilhas Canárias, arquipélago africano da Espanha. O mundo fica mais pobre intelectualmente com sua morte.
Ainda bem que sua voz fica nos livros, nas suas entrevistas e na memória que temos desse grande escritor.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

A Lei de Gerson na África

Alex Ferraz

Quando a seleção argentina ganhou a Copa do Mundo, em 1986, com gol de mão de Maradona, foi um escândalo! O mundo bradou, o Brasil esperneou, o torcedor brasileiro, momentaneamente travestido de pura honestidade e bom caratismo, indignou-se, vituperou contra o juiz, execrou o então grande ídolo do futebol mundial.

Corta para 2010, África do Sul, Braxil 3 x 1 Costa do Marfim. Um gol de Luis Fabiano no qual ele ajeitou duas vezes a bola com braços e mão. O Brasil sorriu matreiramente, o torcedor brasileiro deu gargalhadas orgásmicas diante da inocência (sic) do juiz que foi perguntar ao atacante se ele tinha mesmo usado a mão. Toda a imprensa celebrou. Galvão Bueno levou na chacota, sites falavam de "interferência divina" , tem sido, enfim, uma escancarada apologia da esperteza, do eu quero mesmo é levar vantagem em tudo, da famosa Lei de Gerson.

Retrato do caráter (ou falta de) nacional. Se for a meu favor, vale tudo. Se for para os inimigos, a lei. Asssim agiu ACM, assim age Lula, não menos fez FHC, e de idêntica forma comporta-se José Sarney, no Maranhão, para citar apenas os (alguns) políticos. A esperteza toma lugar da estratégia, o golpe vil substitui a técnica, sob os aplausos dos mesmos que queriam matar Maradona em 1986.

No Brasil, é assim: achou dinheiro e devolveu ao dono? É otário! Disse verdadeiramente o que pensa? É maluco ou desaforado! Foi às ruas protestar? Bem, se for gente da dita esquerda, será uma miragem, pois nos últimos oito anos essa gente prefere ficar contando dinheiro dentro dos palácios; porém, se for "da direita" (genérico sob o qual se classificam agora todos os que têm a coragem de protestar contra tanta falcatrua, tanta corrupção), é "reacionário", um autêntico "inimigo do povo" (com licença de Ibsen, que não é o Pinheiro, faz favor!). No entanto, se você é esperto, dá golpe sem deixar rastro, arma todas para se dar bem se lixando para as consequências em terceiros, se você afaga o poder e espezinha o oprimido, você é o cara, é bróder, é parceiro, é mano, é tudo.

Olha, tem hora que dá vontade de vomitar, pessoal.

P.S - Sabem também o que não aguento mais? Essa gente fantasiada de avançadinha, roupas (cuidadosamente) desleixadas, posando de andrógina, ar supostamente despretensioso, sobrancelhas arqueadas para dar ar de genial quando repetem conceitos estanques sacados em alguma orelha de enciclopédia, o típico "cabeça", que, ao externar suas opiniões reais sobre o mundo através de seus atos e daqueles comentários feitos quando pensam que seu público engabelado não está ouvindo, revela-se um tremendo caretão, homofóbico, reacionário, espertalhão.