quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Aconteceu comigo



O comum na vida diária do habitante de Salvador


Ricardo Líper

A natureza é aleatória o que, para os seres humanos, a torna irresponsável, porque temos consciência dela. No último dia 27 de outubro de 2009, terça-feira, o dia estava nublado, mas sem chuvas. De repente, por volta das 12 horas e poucos minutos, caiu uma chuva forte que durou quase duas horas. Bem na rua onde moro, no Centro de Salvador, um poste de ferro todo enferrujado inclinou-se rachando ao meio. Daí, até à noite, foi um martírio para os moradores que terminaram iniciando a noite sem luz e correram sérios perigos. A companhia que fornece luz para Salvador, foi comunicada do acontecimento às 13 e 30, mas levou horas e horas para chegar. Resultado: noite sem luz e prejuízos e mais prejuízos com alimentos perdidos em geladeiras sem eletricidade.
Será que em Madri seria assim? Essa companhia é espanhola. A culpa não é dela. É de nosso País e seus governantes que não administram o que deveria se administrado. Não parecem que ouviram falar de uma coisa chamada multa. O resultado é que a qualidade de vida nossa de cada dia é zero. Vivemos em um terror constante e qualquer chuva de merda leva ao desespero a população. Essa companhia de fornecimento de energia administrada por irresponsáveis não costuma dar manutenção ao sistema de fornecimento de energia da cidade. Acidentes como esse só não são de maior gravidade porque o acaso assim não quer. Vivemos à mercê da sorte. Somos, ao morarmos em Salvador, como folhas secas levadas pelo vento sem nenhum controle do que pode acontecer conosco ao sair de casa. Podemos ser mortos por sacizeiros, pela polícia perseguindo bandidos, cairmos nos buracos nas ruas, contrairmos dengue hemorrágica, meningite e outras doenças fatais e se precisarmos de hospitais, contrairmos pneumonia, pois nossos médicos e suas UTIs (campos de concentração) não sabem tratar.
Mas só enxerga jardim na selva quem mama nela ou sofre de idiotia.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Nordeste? Nunca mais!


Anita Bryant recebe uma merecida torta na cara por sua campanha homofóbica


TOny PAcheco

Minha querida amiga turismóloga Eliane Curvello vai me desculpar, mas diante da homofobia que grassa no Nordeste brasileiro, está na hora de os gays do Sul e Sudeste brasileiros, assim como seus parentes e amigos, tirarem o Nordeste de seus destinos turísticos, pois um gay no Nordeste corre 84% mais risco de morte por assassinato do que um gay no Sul do Brasil, segundo levantamento do Grupo Gay da Bahia (GGB), que fez a sua VIII Parada em Salvador, no último domingo.
E, na lista rosa shock de cidades nordestinas a serem boicotadas eu incluo Salvador, onde a homofobia também tem crescido assustadoramente. Aqui, como denuncia a coluna “Em Tempo”, de Alex Ferraz, na “Tribuna”, governador e prefeito sequer deram as caras na Parada para prestar solidariedade a esta comunidade perseguida que merece respeito.
Nos EUA, quando Anita Bryant, uma modelo que fazia propaganda de suco de laranja da Flórida, resolveu fazer campanha antigay, a comunidade homossexual resolveu boicotar o suco de laranja e a mocinha homofóbica perdeu o emprego.
Os gays brasileiros precisam deixar a posição de esperar compaixão e passar a exigir direitos, inclusive pelo boicote. Seja eleitoral ou econômico.
Imagine o Nordeste sem os turistas gays (com altíssimo poder aquisitivo) do Sul e Sudeste!!!
O boicote obrigaria as autoridades nordestinas a terem um comprometimento maior com a causa anti-homofóbica, ao contrário da indiferença atual. Os comandantes de órgãos de turismo pressionariam seus governadores e prefeitos a terem maior empenho na luta contra a homofobia. E, finalmente, os empresários do setor hoteleiro, de bares e restaurantes, de transportes etc. etc. etc., seriam forçados a também pressionar as autoridades, tanto políticas quanto de segurança pública, a fim de conter os assassinatos de homossexuais no Nordeste.
Ao boicote turístico do Nordeste, pois!

Pernambuco e Sergipe, campeões do mal.

Antes de ir a Porto de Galinhas, Recife ou Olinda, pense que Pernambuco, voltou a ser, quantitativamente, o estado mais violentamente antigay, com 27 assassinatos em 2008.
Imagine que nos EUA, com 300 milhões de habitantes, 25 homossexuais foram assassinados por motivo de ódio em 2008. Pernambuco, aquela merdinha (ofendendo a quase todos pernambucanos, pois se são indiferentes, são cúmplices...), matou 27. É mole?
Já Sergipe, ridiculamente pequeno e despovoado, proporcionalmente, é o estado mais homofóbico do Brasil.

É hora de boicotar

É hora de boicotar o Nordeste, de Salvador a São Luís, passando por Aracaju, Maceió, Recife, João Pessoa, Natal, Fortaleza e Teresina, Lençois Maranhenses, Canoa Quebrada, Porto de Galinhas, Morro de São Paulo e Porto Seguro, até que as autoridades nordestinas assumam a luta contra a homofobia. Ponto final.

Que coisa feia!

O trio da boate Off Club, na Parada Gay 2009, resolveu fazer um negócio que nunca se viu em nenhum lugar do mundo: quando chegou em frente ao Quartel do Exército, resolveu dar uma ré e a multidão foi obrigada a mudar o sentido do desfile, que ia em direção à Avenida 7 de Setembro, causando um início de pânico.
E deram ré até o Campo Grande, sabe Deus por quê, emparedando as pessoas que ficaram apavoradas, pensando se tratar de algo calamitoso à frente.
E o povinho fashion que estava em cima do trio da Off Club ainda dava risada com o aperto de milhares de pessoas.
Quanta irresponsabilidade!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Os Bastardos Inglórios


O nazismo como nunca vimos

Ricardo Líper

Tarantino fez um dos seus melhores filmes. Não pode deixar de ser visto. É uma orgia de cinema. Ele homenageia tudo e, principalmente, o próprio cinema. A primeira sequência de cenas é uma obra prima. A fotografia é tão perfeita que parece que a tela está pintada. A música destacada, como nos filmes de western italianos. Perfeita. Mas o mais importante é como ele demonstra conhecer a natureza humana. Não posso adiantar muito para não lhe tirar o sabor. Repare o espetáculo que é o personagem caçador de judeus. O ator esbanja talento. O personagem representa, principalmente nos seus últimoso atos, a essência do ser humano. Nada importa a não ser a traição em benefício próprio. Esse personagem, cuja cretinice é total e absoluta, no meu entender é o comportamento comum nos seres humanos. Existem exceções. Cabe a nós ter a sorte de encontrá-las. Eu encontrei, até agora, uns dois. A proporção é baixa mesmo. Tem gente que durante a vida toda só encontra sujeitos como o caçador de judeus. Corra para ver esse grande filme. Um grande espetáculo.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Polícia para quem não precisa


Acorda, Alice, você está na Bahia-ia-ia-ia, Brasil-il-il-il...


tony pacHECO

Quando a gente menos espera o futuro chega. No filme "Blade Runner - O Caçador de Andróides", realizado há mais de duas décadas, o diretor Ridley Scott mostra um futuro onde a atmosfera, superaquecida, provoca chuvas o tempo todo e onde as classes dominantes da sociedade se retiraram para condomínios de concreto dos quais elas só saem pelo ar. Jamais através de veículos terrestres.
Todo mundo achou um absurdo, na época. Eu, para desespero de meus amigos jornalistas e anarquistas, achei que aquele futuro ia chegar logo.
E, chegou.
Hoje, o "Correio" estampou na capa um esquema da Polícia Militar com o sindicato dos empreendedores imobiliários (um tal Secovi-BA, que eu nem sabia que existia), para dar segurança imediata a condomínios de classe média alta na Pituba, Itaigara, Loteamento Aquarius, Caminho das Árvores, Horto Florestal, Candeal e Graça.
É um esquema em que o porteiro dos condomínios de ricos e novos-ricos entra em contato direto com a Polícia e ela chega rapidinho para impedir delitos.
O jornal ficou indignado. A promotora pública Rita Tourinho chegou a dizer que "esse projeto é, no mínimo, uma imoralidade".
Ela está certa, mas, o que não é imoralidade na administração pública brasileira? A Saúde funciona para a maioria? A educação de qualidade funciona para maioria? Ah, então tá!
Esta é a questão de fundo.
A existência destes condomínios de luxo totalmente isolados do resto da cidade é aquilo que o americano chama de "cocooinização". É uma tendência mundial deste planeta de 6,7 bilhões de pessoas, caminhando célere para os 10 bilhões.
Não há segurança possível para tanta gente. Nem alimento. Nem casa. Nem água. Nem educação. Não há nada parecido com vida civilizada para tanta gente.
A tendência é a minoria dominante formar guetos de alto luxo e alta segurança e viver apartada do resto, nós, os moradores da periferia: nós, que quando chamamos o 190, nem conseguimos completar a ligação. E quando completamos, as viaturas da Polícia chegam quando os marginais já estão em Aracaju, Maceió, por aí...
Este convênio com bairro de rico serviu pelo menos para uma coisa (tudo tem um lado positivo): eu e outros otários notamos, FINALMENTE, que moramos na periferia de Salvador, na periferia do Brasil, na periferia do mundo e não no centro de decisões como pensávamos até hoje. Só tenho a dizer: bem-feito pra mim, e pra todo mundo.
Já nosso estagiário, ao ver a manchete do "Correio", foi mais realista que o jornal: "O pessoal tá se queixando de quê? Bairro pobre tem ligação direta. É o Disque Bala ou Bala Delivery - se um policial for atacado, eles entram no bairro pobre rapidinho e metem bala em todo mundo."
Este estagiário tem futuro.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Pérolas de um escriba vulgar

Alex Ferraz

Em primeiro lugar, quero pedir perdão aos meus críticos (eles têm uma AUTORIDADE, hein!) pela linguagem chula que uso. Como 35 anos de jornalismo, muita leitura e tendo estudado em colégio público famoso desta cidade quando o ensino público não era isto que aí está (e após ter militado desde os 14 anos e por muito tempo no PCdoB, sem PCB que eram também ditadores!) certamente devo ter neurônios a menos e por esta razão não aprendi a escrever de forma correta, acadêmica e assaz brilhante. Perdão, senhores censores de estilo, mas infelizmente sou assim. Espero que os senhores não cheguem ao poder, visto que, lá, poderiam executar-me pela linguagem chula.

Dito isto, vamos a algumas pérolas observadas enquanto bebia cerveja em um botequim sujo e jogava conversa (chula) fora com "o povo".

- Dizem que as investigações do governo do Rio de Janeiro concluíram que as Forças Armadas estão portando armas de uso exclusivo dos traficantes.

-O governador Sérgio Cabral (eu vi e ouvi, na TV, ou teria sido um delírio causado por dois litrões da skol?), descontrolado, aos berros, disse que vai prestar satisfações ao Comitê Olíimpico Internacional sobre o que ocorreu no Rio, e prometeu que isso não acontecerá nas Olimpíadas que vão salvar "o povo" deste país. Depois e antes, que se fodam os cariocas e todos os brasileiros.

-O ministro da "Justiça", Tarso Genro, declarou para todos ouvirem que os fatos agora ocorridos na Cidade Maravilhosa não acontecerão na Copa nem nas Olimpíadas, porque estará lá a Força Nacional. Depois, que se lasquem cariocas e brasileiros em geral.

- O Brasil se prepara para comemorar 200 milhões de habitantes. Deveríamos chorar. Com a roubalheira que sempre caracterizou todos os governo desta terra, não há dinheiro para atender nem metade da população que aí está.

No mais, voltaremos com outros comentários superficiais, destituídos de bases científicas e filosóficas, e que, portanto, jamais expressam a realidade e não devem ser levados a sério.

Passar bem, caros!

domingo, 18 de outubro de 2009

Galileu


Não deixe de ler

Ricardo Líper

Não tenho pudor de recomendar uma revista quando ela é boa. A revista "Galileu" desta vez fez um trabalho excelente. Corra para comprar que vale a pena ler quase todas suas páginas. Principalmente a matéria de capa que elimina uma série de ideias que picaretas de vários tipos ficam por aí espalhando. Coisas do tipo se comer engorda, plantar árvores salvará o planeta etc. Que escola é bom e educa os alunos. Que professores são anjos, aliás, sobre isso, em breve, os colocarei no devido lugar, isto é, no Tribunal de Nuremberg. A grande maioria é fascista. A grande maioria não vale nada. Ruins com os colegas, intrigantes, mesquinhos, desequilibrados.
A "Galileu" recomendada é a Edição 219, deste mês de Outubro de 2009.
Não percam: vale a pena!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

É mentira e/ou cumplicidade

Alex Ferraz

Centenas da milhares de crianças, jovens e adultos estão se destruindo com o crack no Brasil.

Nenhum governo, nem este nem o de FCH, nem o de Wagner nem o de Paulo Souto, mexe nem mexeu uma palha, quando deveria, pelo menos, reservar parte dos bilhões que gastam com propaganda enganosa para fazer uma campanha constante, radical, alertando para o suicídio que o uso desta droga representa. Mas preferem excomungar o chope!

Deduzo: como não são imbecis e, se o são, devem ter pelo menos meia dúzia de assessores que pensam, os homens do governo (e a dita nata da sociedade), não agravando a todos, com o diz o povo, devem de alguma forma tirar vantagem da devastação causada pelo crack. Afinal, a maioria dos que morrem é de pobres, "vagabundos" etc., marginais, enfim, e esta é uma oportunidade de ouro para mandá-los pros quintos dos infernos. O azar é que os filhinhos de papai também estão entrando na onda. Mero efeito colateral.
Também posso deduzir que muita gente fina por aí ganha uns trocados com essa parada.

Dizem que não há dinheiro para policiar o interior, que não existe grana para contratar delegados etc. Mas sobra dinheiro para viajar o mundo, para gastar bilhões com Copa e Olimpíadas e para encher o bolso de uma cambada de ladrões que vão desde a extrema direta aos ditos "de esquerda". Conversa mole para enganar otários. Há dinheiro, sim, é muito. Mas tem que ser gasto na campanha de Dilma, de Wagner, como era gasto nos tempos de ACM na Bahia, quando bastava se aproximar o período eleitoral para que houvesse uma drástica apertadela de cinto no funcionalismo e gastos públicos em geral. Para fazer caixa para a campanha, a fim de ganhar e continuar levando o seu, que ninguém é besta. Então, é mentira.

É mentira a alegação de que não há dinheiro para pagar bem professores e construir escolas públicas decentes e de alto nível, não se limitando às tais profissionalizantes, que só servem para formar operários, mão de obra para a burguesia. Não querem que ninguém aprenda bem. Não querem um ensino de qualidade, porque isso incomoda, cria mentes pensantes, vem o terrível espírito crítico e aí fica difícil engabelar com conversa mole.

Tem muito mais mentira, mas enchi o saco de escrever.

Ah, sim: tem gente que acredita nessa conversa mole toda. São uns alienados. Tem gente que finge que acredita, defende até, e vai me xingar pelo que eu disse. Estes ganham muito bem para isso. Tchau e bênção!