domingo, 18 de abril de 2010

Debochando do contribuinte

Alex Ferraz

Leio, perplexo, em jornais e sites, que o ministro do Esporte, Orlando Silva, anunciou acordo fechado entre o governo brasileiro e a Fifa para isentar a entidade máxima do futebol e seus parceiros de impostos no País, referentes a todos os serviços e produtos relacionados à Copa do Mundo de 2014.
A isenção tributária, "explicou" o ministro, valeria de janeiro de 2011 até 31 de dezembro de 2015. "A decisão de isentar a Fifa é a partir da avaliação de que o Brasil vai ganhar muito mais com o aquecimento da economia. A isenção de impostos terá impacto menor do que aquilo que será gerado pela economia e o que será arrecado de tributos", afirmou.
Espantoso! Um país cujas suas grandes cidades derretem e matam centenas com um temporal por falta de obras sérias que, com certeza, resolveriam de vez o problema; um país onde pessoas morrem quase todo dia nas filas de hospitais públicos à espera de uma UTI ou até de atendimentos mais simples; um país onde dezenas de milhares de crianças entregam-se ao crack e ao crime porque não têm qualquer dignidade social (sem escola, sem família, sem futuro), vai abrir mão dos bilionários impostos gerados pelo maior evento mundial do esporte que mais produz dinheiro no mundo. Chocante!
Mais chocante ainda quando constatamos que, dos impostos pagos por nós, sugados até o tutano pela maior carga tributária do planeta, é que sairão os bilhões para a construção ou remodelação de estádios para a Copa.
O governo precisa urgentemente rever esta medida, ou ficará claro que, além de massacrar o contribuinte brasileiro, ainda debocha solenemente dele, ao avalizar a ideia corrente de que só gente comum é que paga impostos. Os tubarões, estes têm duas saídas: a pura e simples sonegação (aplicando aí métodos "contábeis") ou a boa vontade daqueles que assumem o poder em nome do povo e governam contra ele.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Emprego e desemprego e a mídia amestrada


Sugiro o mico como mascote oficial de minha profissão


TonY pacHeco

Não acho bobeira bater em pedra dura. Tanto bate até que um dia vai furar...
Ontem, quinta-feira, vi no Jornal Nacional da Globo e, depois no Jornal das 10, da Globo News, que foram criados 650 mil empregos com carteira assinada no Brasil de janeiro a março deste ano. Lindo, né mesmo?
Mas, nenhum repórter, de todo o Brasil, perguntou o óbvio ao ministro do Trabalho, o Sr. Lupi (que é lobo em latim, se não me engano...): E QUANTOS FORAM DEMITIDOS NESTES TRÊS PRIMEIROS MESES DO ANO EM TODO O BRASIL?
Mídia amestrada é igual ao mico que a gente cria no ombro, para desespero do Ibama: só faz o que é conveniente...
Só para se ter uma idéia, apenas em Salvador e apenas num único setor, o de hotelaria, ACONTECERAM 1.903 DEMISSÕES DE JANEIRO A MARÇO DE 2010. Imagine nos outros setores... Imagine nas outras 26 capitais brasileiras... Imagine em todos os 5.565 municípios...
Só falam dos empregos criados. Quem tomou um pé-na-bunda nestes 90 dias, nadica de nada... Silêncio absoluto!
País bom, este nosso, para governar. Uma "dilícia".

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Ainda sobre chuvas, corrupção e incompetência


As ruas de Paris não inundam porque debaixo delas há estas galerias onde passa até um carro de Bombeiros


As galerias de águas pluviais de Paris viraram atração turística

tony pachecO

Pensei que tinha sido claro. Não fui. A culpa é minha e não de quem leu.
Gosto de Salvador. Moro aqui por opção, portanto, é um sentimento mais forte do que quem não teve escolha. Gosto mais daqui do que do lugar em que nasci. Por isso moro aqui. Então, esta parte acho que, agora, ficou clara.
Por que insisto em denunciar as mazelas de Salvador? Porque quero viver numa cidade melhor, com mais qualidade de vida, com menos miséria. Melhor para mim e para outros 3 milhões de habitantes.
Quanto ao post sobre chuvas, a intenção é denunciar o descaso e a incompetência de nossas classes dominantes, desde o tempo de Thomé de Souza até agora, pois abrem ruas e avenidas e simplesmente ESQUECEM de colocar embaixo do asfalto as INDISPENSÁVEIS galerias de captação de águas pluviais, ou seja, águas de chuva.
Aí neguim vai dizer: "Ora, comparar Paris com Salvador?! Você é idiota, Tony?"
Não, pelo menos nos testes que fiz não deu idiotia...
Quando Paris construiu suas galerias de águas pluviais, há 200 anos, a França era muito MAIS POBRE que o Brasil. Mas muito mais pobre, MESMO!
Somos, hoje, a oitava economia do planeta. Nada justifica a miséria infraestrutural em que vivem nossas cidades. Só o roubo, a corrupção e a INCOMPETÊNCIA explicam que as metrópoles brasileiras, até hoje, não contem com um sistema gigantesco de captação subterrânea de águas pluviais para evitar enchentes e tragédias.
É INCOMPETÊNCIA e IGNORÂNCIA de todos os políticos, não ver que somos um país tropical onde chove absurdamente e, por isso, não se pode morar em barranco (isso para os miseráveis suicidas que insistem em proliferar como ratos, encher as encostas de lixo, jogando toneladas de entulho nas bocas-de-lobo e exigir, DE GRAÇA, tudo do Estado - saneamento, habitação, lazer, educação, segurança, mobilidade, saúde etc. etc. e como o Estado está lotado de corruptos, SOBRA PRA NÓS que pagamos impostos diretos, fazemos um, dois filhos ou nenhum, mas LEVAMOS NAS COSTAS uma renca de gente que não paga um puto de imposto direto, mas quer usufruir todos os serviços do Estado).
E as autoridades brasileiras são tão incompetentes (com as exceções raras de praxe) que não vêm que num país tropical que chove pra diabo, ANTES DE ABRIR UMA RUA, tem que construir galerias gigantescas embaixo delas.
Aqui, por exemplo, vou rememorar: abriram-se as avenidas de vale, elogiadíssimas, mas só meteram a Patrol, cascalho e uma borra de asfalto em cima. A Av. Centenário, por exemplo, só em 2008 foi agraciada com as galerias de captação de águas de chuva que deveriam ter sido construídas antes de ser concluída e entregue. Só que esta avenida foi idealizada nos anos 1940 pelo Epucs (Escritório do Plano de Urbanismo da Cidade do Salvador). Demorou 48 anos para sentirem que não podiam abrir uma avenida sem galeria pluvial. É demais...
Veja a Av. Luís Eduardo Magalhães. Novíssima e já enche. Deve ter uma galeriazinha de nada ali embaixo daquele asfalto.
Aí entra TAMBÉM a MÍDIA DESINFORMADA. A mídia pede novas avenidas em Salvador e elas serão construídas. Agora, por que NENHUM órgão de imprensa COBRA, durante as obras, a construção de galerias pluviais? Por que nem sabem o que é isso...
É dose!
Espero ter sido claro agora. E não volto tão cedo a este assunto, pois quem dá luz a cego é Santa Luzia.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Salvador: Cidade Verão ou Cidade Chuvão?


Em Salvador, como no Rio e em S. Paulo, se navega de carro...

ToNy PaChEcO

Quando morava em Minas Gerais, ficava extasiado com as fotos de Salvador: ensolaradas. E comparava com minha cidade, com seus 1.450 mm de chuvas por ano. Ficava injuriado e pensava: um dia vou morar na Bahia, o lugar onde faz sol o ano todo.
Chegando aqui em 1976, num dia 4 de novembro, o avião sacolejando, debaixo de um toró monumental, navegando (sic) num táxi do Aeroporto 2 de Julho até o bairro de Nazaré, deparei-me com uma cidade em que chove 2.098 mm de água dura por ano. Mais de 500 mm acima do índice de minha cidade.
Se na época existisse computador e, principalmente, o site br.weather.com, eu teria ido morar em Marrakech e não em Salvador (hehehehehhehehehe).
Mas, agora, neste abril de chuvas mil, vejo alguns coleguinhas falando ou escrevendo sobre este mês "atípico", por estar sendo chuvoso demais e, aí, resolvi relembrá-los de uma capa que fiz quando era editor do caderno Lazer&Informação do jornal "A Tarde". Intitulei a matéria "Salvador - Cidade Verão ou Cidade Chuvão?".
Hoje, resolvi pesquisar novamente e confirmei: abril e maio são os dois meses mais chuvosos de Salvador, com médias de 321 mm e 324 mm, para 21 e 24 dias chuvosos em cada mês. Em abril e maio em Salvador chove quase o mesmo que em 12 meses em Lisboa...
É chuva pra Índia e Bangladesh também não botarem defeito.
Pesquisei sobre Lisboa, de onde vieram os colonizadores desta Bahia nem sempre ensolarada e descobri o porquê de não construirmos galerias imensas para captação de águas de chuva: em Lisboa só chove 751 mm por ano. Enchente lá é coisa rara. O know how que nasce da necessidade não povoava a cabeça de nossos colonizadores, daí, Rio, São Paulo, Salvador não terem galerias monstruosas em suas avenidas e, daí também, os rios que se formam nas ruas a cada período chuvoso.
Veja abaixo a minha pesquisa e saiba que aqui chove muito, não adianta espernear. As galerias que já foram feitas na Baixa dos Sapateiros, Centenário, Manoel Dias da Silva e, agora, no Imbuí, têm que ser feitas em todas as avenidas. É o nosso destino, não tem pra onde correr.

Clima em Salvador

Média de 219 dias chuvosos por ano. São 2.098 mm de chuvas por ano.

Em Lisboa, de onde vieram nossos colonizadores (daí Salvador nunca ter sido dotada de uma rede de captação de águas pluviais decente) são apenas 751 mm anuais.

Janeiro: 14 dias chuvosos em Salvador , quantidade média de precipitação de 110,9 mm (109 mm em Lisboa), muito quente durante o dia (29,9 °C / 85.8 °F), quente à noite (23,7 °C / 74.7 °F).
Fevereiro: 17 dias chuvosos em Salvador, quantidade média de precipitação de 121,2 mm (112 mm em Lisboa), muito quente durante o dia (30 °C / 86 °F), quente à noite (23,9 °C / 75 °F).
Março: 19 dias chuvosos em Salvador, quantidade média de precipitação de 144,6 mm (69 mm em Lisboa), muito quente durante o dia (30 °C / 86 °F), quente à noite (24,1 °C / 75.4 °F).
Abril: 21 dias chuvosos em Salvador, muita precipitação (321,6 mm), 64 mm em Lisboa, quente durante o dia (28,6 °C / 83.5 °F), um pouco fresco à noite (22,9 °C / 73.2 °F).
Maio: 23 dias chuvosos em Salvador, muita precipitação (324,8 mm), 38 mm em Lisboa, quente durante o dia (27,7 °C / 81.9 °F), mais fresco à noite (23 °C / 73.4 °F).
Junho: 23 dias chuvosos em Salvador, muita precipitação (251,4 mm), 20 mm em Lisboa, quente durante o dia (26,5 °C / 79.7 °F), fresco à noite (22.1 °C / 71.8 °F).
Julho: 23 dias chuvosos em Salvador, muita precipitação (203,6 mm), só míseros 5 mm em Lisboa, quente durante o dia (26,2 °C / 79.2 °F), fresco à noite (21,4 °C / 70.5 °F).
Agosto: 20 dias chuvosos, média de precipitação (135,9 mm), míseros 5 mm em Lisboa, quente durante o dia (26,4 °C / 79.5 °F), fresco à noite (21,3 °C / 70.3 °F).
Setembro: 17 dias chuvosos, média de precipitação (112,2 mm) 25 mm em Lisboa, quente durante o dia (27,2 °C / 81 °F), fresco à noite (21,8 °C / 71.2 °F).
Outubro: 14 dias chuvosos, média de precipitação (122,2 mm), 81 mm em Lisboa, muito quente durante o dia (28,1 °C / 82.6 °F), noites mornas (22,5 °C / 72.5 °F).
Novembro: 14 dias chuvosos, média de precipitação (118,5 mm) 114 mm em Lisboa, muito quente durante o dia (28,9 °C / 84 °F), noites mornas (22,9 °C / 73.2 °F).
Dezembro: 14 dias chuvosos, média de precipitação (132 mm), 109 mm em Lisboa, muito quente durante o dia (29 °C / 84.2 °F), noites quentes (23,2 °C / 73.8 °F).


sexta-feira, 9 de abril de 2010

Lançamento do termo Cuequismo

O símbolo do Cuequismo



Ricardo Líper


Devido ao episódio da nossa história recente no qual um certo sujeito foi pegado colocando dinheiro na cueca comunico ao povo, às autoridades civis e militares, ao Papa, ao presidente das República, à Academia de Letras de Cretinolândia, a Academia de Letras do Brasil que crio o termo Cuequismo.




Cuequismo - Esconder dinheiro de origem duvidosa na cueca. Tendência de quem é adepto do Cuequismo, a surrupiar dinheiro público ou privado.




Cuequista - Adepto do Cuequismo.




Cuecar - Eu cueco, você cueca, nós cuecamos... É se apoderar, com voracidade, do dinheiro alheio ou público.

Quem mata não é a chuva

A chuva derrete a máscara ideológica dos governos

Ricardo Líper

Pois é! Chove nesse mundo criado por Deus. A natureza é mãe, não é? Entretanto, aqui no Brasil as pessoas morrem, não por causa das chuvas ou porque jogam lixo nas ruas, elas morrem e a chuva virou uma tragédia, porque as elites dominantes, que se alternaram e agora dividem o poder, nada fizeram para prevenir. O que sabem fazer é encherem os bolsos e até as cuecas de dinheiro. Repare, não estou culpando apenas a atual elite dominante, mas todas que vieram antes e ainda estão aí querendo governar, leia-se ter o poder para empregar, ter privilégios etc. E, como se estivéssemos vivendo o reinado de Calígula, queremos sediar a Copa do Mundo e temos um grupo de militares ajudando o Haiti, mas uma chuva mais forte liquida as cidades do Brasil. Alunos das universidades fazem campanha para ajudar o Haiti enquanto tomam seu leitinho com chocolate nos seus aconchegantes apartamentos. A alienação pode destruir uma nação. Você já viu uma chuva levar o povo ao desespero na Dinamarca? Hem, hem, hem, heeeeeeeeeeeeeeeeeem? Acorda Zé ninguém. E lá neva, seu otário. Continue culpando a chuva, brasileiro Verão. Quá, quá, quá. Cada brasileiro que morre devido a chuva foi asssassinado pelos governos. Estou dizendo governos no plural, viu míopes do PT, no plural, que se sucederam no poder, inclusive o atual. E, tem mais, acabaram os pára-raios? Alguém pode me dizer se descobriram que pára-raios são ineficientes? Quem provou isso e quando?

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A Bahia de todos eles

A democracia capota quando só um lado pode fazer propaganda

tonY pachecO

Ambulâncias de campanha

Bassuma, Souto e Geddel não podem sequer colocar um adesivo em carros de correligionários dizendo: "Sou mais Bassuma", "Estou Souto" ou "Estou com Geddel". São logo ameaçados pela Justiça Eleitoral.
É incrível esta experiência de arremedo de democracia que vivemos no Brasil desde 1985. Neste momento, vemos um presidente da República fazendo campanha eleitoral antecipada em quase dois anos em prol de sua candidata, enquanto os oposicionistas do PV, PSDB e outros partidos, não têm direito sequer de se dizerem candidatos, pois o Tribunal Superior Eleitoral cassaria seus direitos políticos.
E, aqui, na Bahia morena, na Bahia simpática, na Bahia de todos nós (lá deles...), o governador, que é candidato à reeleição, resolve fazer em 9 meses tudo que não fez durante os últimos três anos, RESERVANDO PARA O FINAL do governo, todas as realizações que deveriam ter sido providenciadas desde o primeiro dia da administração sucessora do carlismo, lá em primeiro de janeiro de 2007.
E tome-lhe entrega de viaturas policiais, tome-lhe entrega de ambulâncias para as prefeituras interioranas, e tome-lhe passarela, ponte, tudo às vésperas do pleito, daqui a apenas SEIS MESES.
A Justiça Eleitoral não se manifesta.
É a campanha do partido único.
E lá vamos nós, de novo!

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Pense num absurdo! Está ocorrendo aqui.


É você ler jornais em Salvador com um mínimo de senso crítico e ver que vivemos, mesmo, numa sucursal do inferno.
Na primeira página vejo que 15 famílias pobres de Fazenda Coutos foram obrigadas a sair do seu templo de adoração aos orixás porque um grupo de traficantes assim o exigiu. Mas, o mais aterrorizante foi ver policiais com máscaras e metralhadoras dando "segurança" à fuga dos expulsos.
Quer dizer, o que se espera da Secretaria de Segurança Pública do Governo do Estado da Bahia, é que PRENDA OS TRAFICANTES e não dê "segurança" às expulsões feitas por eles.
Na propaganda oficial do governo Wagner/PT, "nunca se investiu tanto em segurança na Bahia". Já na vida real, a trágica imagem das famílias fugindo de suas casas, pois a Polícia não controla enormes áreas de Salvador, todas nas mãos de quadrilhas de traficantes de drogas.
Socorro, quero viver numa propaganda do Governo da Bahia!