Antínoo, paixão do imperador Adriano, de Roma, transformado em deus por este último.tonY Pacheco
Com as raríssimas exceções de praxe, quem é obcecado por esportes (não só futebol) sofre de uma brutal alienação em relação a qualquer coisa inteligente.
O nariz-de-cera é necessário ao ver as peripécias do atleta Adriano, O Imperador, do time de futebol Flamengo, do Rio de Janeiro e como a imprensa esportiva brasileira o trata.
Envolvido com comunidades de traficantes de drogas e de armas (segundo as notícias que vejo quase todos os dias), espancamento de mulher e "otras cositas mas", Adriano foi apelidado pela mídia esportiva européia de O Imperador, pois lá, no Velho Continente, mesmo a mídia esportiva é obrigada a ter um mínimo de formação acadêmica. Só que os coleguinhas nem têm idéia de quem foi o Adriano verdadeiro, o de Roma...
A ligação entre Adriano, o jogador de futebol, e Adriano, o imperador de Roma (que viveu até 138 d.C.), foi feita pela imprensa esportiva européia por causa do destemor do atleta, lembrando a coragem do imperador Adriano ao enfrentar seus inimigos, dizimando-os sem dó nem piedade ou cooptando-os descaradamente.
Só se esquecem que também foi o imperador Adriano que restaurou em Roma as religiões politeístas de matriz helenista (mistura de deuses romanos, gregos, egípcios etc.).
Também esquecem que, por isso, Adriano restaurou também o costume helenista de o homem maduro ter um ou mais jovens do sexo masculino no seu séquito. E em sua cama...
Assim, Adriano, o imperador de Roma, apaixonou-se por Antínoo, jovem descendente de gregos da Bitínia (hoje, Turquia), de beleza estonteante (há estátuas suas em vários museus da Itália, França, Grécia e outros países), que passou a ser amante oficial de Adriano até 130 d.C., quando Antínoo se ofereceu em sacrifício à deusa Osíris, no Rio Nilo, como forma de tirar Adriano da severa crise de saúde e política que sofria então.
O desespero de Adriano foi tamanho que declarou Antínoo deus e ergueu templos em honra a ele por todo o Império Romano.
Talvez, por aí, diria um psicanalista de botequim, se explique o gosto do outro imperador, o atleta, pelo espancamento de mulheres. Ou não.



