"Os piores magistrados terminam sendo os mais louvados. O ignorante, o despreparado, não cria problema com ninguém porque sabe que num embate ele levará a pior. Esse chegará ao topo do Judiciário."
Ministra Eliana Calmon, corregedora do Conselho Nacional de Justiça
Quando você vê o Supremo Tribunal Federal (STF) prestes a derrubar a exigência de "ficha limpa" para se concorrer a cargos eletivos; prestes a derrubar a lei do próprio presidente Lula que exige um documento com foto junto com o Título de Eleitor; ou a inércia diante da derrubada do plebiscito em que o povo decidiu que todo cidadão honesto tem direito a uma arma e munição (o presidente Lula e a Rede Globo decidiram ignorar o resultado e ponto final...), você entende exatamente como funciona a Justiça no Brasil.
A frase da ministra baiana Eliana Calmon, dita para a revista "Veja", explica sem mais delongas, o que é a Justiça no Brasil.
Os supremos tribunais de quaisquer países são sempre o lugar geométrico onde se espera que sejam concentradas as mentes mais justas, aquelas que não se atêm apenas à lei, mas sim ao bem-estar do país e do povo que habita aquele país.
Grita, a necessidade de impedir que bandidos renomados sejam presidentes, governadores, prefeitos, deputados, senadores ou vereadores, já que, no poder, terão O PODER de colocar sua verve marginal a serviço dos piores interesses, todos conflitantes com o interesse comum do país e do povo. Mas, o STF tem dúvidas a respeito disso.
Grita o fato de que foi o PT e Lula que aprovaram a exigência de documento com foto para poder participar das eleições de domingo. Na época, o PT não tinha ainda candidato e ficou com justo receio de que sem a exigência de um documento com foto, muitos grotões do Nordeste, do Norte e do Centro-Oeste tivessem os resultados eleitorais manipulados como sempre o foram em eleições passadas.
Só que, agora, quando sua candidata a presidente pode ganhar justamente por causa dos grotões, o PT foi ao STF para tentar anular a exigência do documento com foto que ele mesmo aprovou junto com Lula.
A fala da ministra Eliana Calmon pode explicar isso? Não digo nada, deixo aos seguidores deste blog a resposta.
"Durante anos, ninguém tomou conta dos juízes, pouco se fiscalizou. A corrupção começa embaixo. Não é incomum um desembargador corrupto usar o juiz de primeira instância como escudo de suas ações. Ele telefona para o juiz e lhe pede uma liminar, um habeas corpus ou uma sentença. Os juízes que se sujeitam a isso são candidatos naturais a futuras promoções. Os que se negam a fazer esse tipo de coisa, os corretos, ficam onde estão."
Ministra Eliana Calmon
Qualquer brasileiro que não tenha dinheiro suficiente para as lides nos tribunais sabe do que a ministra está falando. Sou brasileiro e não fujo à regra: espero há quase uma década sentenças contra marginais que roubaram o capital de giro de minha empresa, com arma em punho, ameaçando de morte a uma senhora de 80 anos dentro de minha casa, e outra sentença na área trabalhista em que a justiça local reconheceu meus direitos e o processo foi dormir em Brasília em berço esplêndido (gaveta esplêndida?), para não fugir ao nosso destino confesso, já expresso na letra muito doida do nosso Hino Nacional.
Agora, você, internauta, já precisou da Justiça? Eu não digo nada a você. Olhe ao seu redor, faça uma pesquisa somente entre seus parentes, seus amigos e seus colegas de trabalho. Veja quantas vítimas da (in)Justiça existem entre eles. Talvez você fique estarrecido. Ou não!
"Para ascender na carreira, o juiz precisa dos políticos. Nos tribunais superiores, o critério é única e exclusivamente político."
Ministra Eliana Calmon
Diante da assertiva acima, você já tem condições de saber qual o destino da lei da "ficha limpa" para candidatos a cargos eletivos? Para a exigência de documento com foto para votar? Para o destino dos barraqueiros de praia de Salvador ou o destino dos endinheirados que montam clubes, hotéis, mansões, até mesmo dentro do mar, em Salvador e Brasil afora?
Eu tenho resposta a tudo isso, mas guardo o segredo há sete chaves em meu terno coração (medroso coração?).
"Eu não sou a única rebelde nesse sistema, mas sou uma rebelde que fala."
Ministra Eliana Calmon
Fico pensando, haverá futuro num País onde diante de tanta injustiça, só uma voz se levanta com desassombro (para usar um termo caro aos pivetes que pululam na Internet)?
Uma mulher cidadã como Eliana Calmon seria a candidata natural a presidenta da República no Brasil, com chance de nos tirar deste trilho de trem que não descarrila nunca, que é a nossa História de corrupção, incompetência e inércia.
Mas, os bons, os desassombrados, os honestos quase nunca chegam ao poder. Eu, realmente, fico admirado de esta baiana estar na Corregedoria máxima do Poder Judiciário.
Consultando Madame Beatriz e sua infalível bola-de-cristal, acho que nunca mais veremos uma magistrada como esta na "história deste País". Foi um acidente de percurso na História do nosso Judiciário. Muito provavelmente não se repetirá, para que sigamos em frente rumo ao desastre, que é o nosso DESTINO MANIFESTO desde a chegada de Cabral por aqui.
tony Pacheco
* post scriptum: as declarações da ministra Eliana Calmon (em vermelho) foram transcritas ipsis litteris et verbis de "Veja", sem alterar sequer uma vírgula.