
TOny pachecO
Marina Silva, candidata do PV (quem foi o PV...) à Presidência do Brasil, acuada diante de assuntos que estão na agenda do País, como aborto, casamento de pessoas do mesmo sexo e legalização da maconha, saiu-se com um apelo a plebiscitos. O mesmo discurso usado pelos arcebispos e bispos da Igreja Católica na Argentina, que estão revoltados com o fato de o casamento entre iguais estar sendo discutido no Parlamento em vez de nas ruas.
Plebiscito é uma falácia. Se dependesse deles, o Brasil seria escravocrata até hoje. Imagine os eleitores do Império se manifestando sobre se queriam ou não a escravidão dos negros. É óbvio que diriam sim à continuidade da excrescência escravocrata.
Os países só avançam em suas instituições democráticas se seus dirigentes tiverem coragem e discernimento.
Veja-se o caso recentíssimo da Suíça, um dos países mais civilizados de toda a História da Humanidade.
Colocaram os suíços para votar num plebiscito que não tem nem um ano ainda, e lhes foi perguntado se queriam a proibição de minaretes em seu país. Minarete é aquela torre nas mesquitas (o templo islâmico) na qual os muçulmanos chamam os fiéis para as orações do dia.
Que o Islamismo é uma religião fascista, todo mundo sabe que é.
Que os muçulmanos são inimigos das mulheres de todo o mundo, as humilham, castram e mantêm na servidão, todo mundo sabe.
Que enforcam homossexuais, todo mundo sabe.
Que perseguem qualquer tipo de oposição religiosa ou política, até as pedras do Pelourinho sabem.
Mas, nós, no Ocidente, não podemos nos igualar a iranianos, sauditas ou yemenitas, gente que ainda vive como se a História estivesse congelada no século sétimo depois de Cristo.
Somos uma sociedade que avança justamente porque a democracia se tornou o modo como nos organizamos politicamente. E democracia pressupõe que elejamos os melhores dentre nós para legislar em nosso nome e, assim, fazer avançar (mesmo que aos trancos e barrancos) nossa sociedade.
Pois é, os suíços, resolveram que a democracia deles deveria ter a participação direta do populacho e neste ano da graça de 2010, está proibida a construção de minaretes na Suíça. Uma medida preconceituosa, nazista, racista e antidemocrática, pois, intolerante em relação à religião islâmica. Mas, a medida foi apoiada por 57% dos suíços.
Agora, veja-se a Argentina: se os prelados católicos convencerem os políticos a convocarem um plebiscito sobre o casamento entre iguais, já se pode antever a proibição.
E, no Brasil, país de maioria católica e, agora, com uns 17% de evangélicos de quebra, imagine propor um plebiscito para legalizar o consumo de maconha. Vai dar 90% de rejeição, com certeza.
O povo, na maioria dos países, é mantido na mais abjeta ignorância. Numa ignorância planejada pelas classes dominantes e, ao povo, não deve ser dado nenhum poder legislativo, pois, se não, voltamos à Idade das Cavernas. Por isso, a Espanha, numa penada só, decidiu legalizar o aborto e o casamento entre iguais, de uma penada só mesmo, pois, como país católico mais conservador do mundo, sabia que se fossem os dois assuntos colocados em plebiscito, seriam rejeitados.
Olhem, bispos argentinos e D. Marina Silva, vão todos para o Diabo que os carregue.