Alex Ferraz
Está por merecer imediata intervenção do Ministério Público e a atenção do Conselho Regional de Medicina da Bahia, além do Sindicato dos Médicos do Estado da Bahia (Sindimed), o absoluto caos instalado nos postos de saúde da Prefeitura Municipal de Salvador.
Ironicamente bem equipados no que tange a enfermeiras, dentistas e alguns equipamentos, esses postos não têm...Médicos! São diversas as unidades fechadas por falta do principal profissional, apesar dos salários de até R$ 7 mil oferecidos.
Para os poucos que ainda atendem com presteza, é necessário enfrentar uma fila cruel, que começa de madrugada e cujo atendimento é encerrado, muitas vezes, sem que ninguém consiga marcar consulta! Há o caso, emblemático, de um cidadão bastante idoso que levou 38 dias peregrinando até conseguir marcar uma consulta. Há também diversos episódios em que os atendentes simplesmente não conseguiram ler o exame solicitado pelo médico, devido àquela boçalidade de "letra de médico", ou seja, rabiscos ininteligíveis.
Existe um telefone, 160, que fica tocando uma musiquinha irritante e, nos raros momentos em que atendem, o cidadão marca atendimento sem saber para quê. É uma tragédia, enfim.
Fico a matutar, a partir da frase de um amigo sobre a situação ("Vacinam as pessoas quando crianças para matá-las por falta de atendimento médico após adultas"), que extrema perversidade leva os governos, em todos os níveis, a fazer vista grossa para uma questão crucial como a do atendimento médico público de urgência, principalmente se levarmos em conta que somos um país onde a maioria da população não pode pagar plano de saúde e muito menos médicos e hospitais particulares? Seria pura incompetência? Recuso-me a crer. Acho que é maldade mesmo. Talvez a maldade esteja em roubar o dinheiro que deveria ser aplicado na saúde pública ou transferí-lo para setores supérfluos, como Copa do Mundo etc.
NO ENTANTO...
Mais indignado ficou ao ver o governo do Estado, na Bahia, como inusitada presteza, socorrer hospitais particulares com mais de uma dezena de milhões de reais, porque eles fizeram birra, fecharam as emergências e pronto! Ora, senhores, esses hospitais ganham fortunas! Qualquer atendimento passa do milhar de reais e só é feito com o famigerado depósito. Ou então, o cidadão morre. Em vez de socorrer hospitais privados, o governo da Bahia deveria mostrar que realmente somos uma terra "de todos nós" e, junto com a prefeitura, melhorar imediatamente o atendimento público de saúde. Mas como estão politicamente brigados, repete-se o cruel quadro do carlismo, do quanto pior melhor no município (para o governo).
Não se pode falar em mudança quando o quadro de saúde pública é relegado (como sempre foi, inclusive em governos anteriores, tanto municipais, como estadual e federal) a último plano, quando pessoas morrem sem UTI. E não dá para dizer que é preciso tempo para resolver isso. Trata-se de questão prioritária, mais importante do que ponte para Itaparica, do que Complexo Viário Dois de Julho, do que estádio de Pituaçu, do que milhões de reais para o Esporte Clube Vitória, do que centenas de milhões de reais para fazer propaganda enganosa de obras que nunca começam (a estrada Conquista/Itambé é um exemplo), do que postes bonitinhos e sinaleiras eletrônicas, do que Stock Car, do que o buraco sem fim do metrô que jamais fica pronto etc.
Ou não seria a vida dos cidadãos uma prioridade. Se não, não sei mais sob que regime social sobrevivemos. Aliás, sei do que estamos nos aproximando: de um novo holocausto. Hitler vive, aqui e alhures.
RESPONSABILIDADE DOS MÉDICOS
A Associação Bahiana de Medicina (ABM), o Conselho Regional de Medicina (Cremeb) e o Sindicato dos Médicos da Bahia (Sindimed) não podem ficar calados diante deste descalabro. Aliás, a bem da verdade o Sindimed é o único que se manifesta, às vezes. No entanto, as outras entidades, muito preocupadas com seu espírito de corpo, fazem vista grossa para a situação, assim como o Ministério Público.
Quanto aos médicos, devem ter a consciência de que, quando fizeram o juramento de Hipócrates (ou seria de hipócritas?) concordaram que iniciavam ali uma profissão que tem muito de dedicação, embora, é claro, tenham que ganhar para sobreviver. Mesmo assim, sete mil reais por mês nos postos municipais, por exemplo, é um salário nababesco para a pífia média nacional!
Veremos até onde irá a maldade dos governantes e boçalidade de boa parte dos médicos diante da desgraça que se abate sobre as pessoas que tiveram a infelicidade de nascer em um país que teria tudo para ser uma grande potência, mas vem sendo governado, desde 1500, por bestas feras que jamais pensam na nação, mas somente em locupletar-se. E ai incluo todos, sem qualquer exceção honrosa, porque honra não há.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Eu odeio pedras portuguesas

Pedras portuguesas: é assim que elas acabam ficando poucos meses depois de instaladas nos passeios.
tony PaChEco
Fui almoçar, hoje, com o coordenador de Comunicação da secretaria da Prefeitura na qual presto serviços e tive que deixar meu carro no estacionamento em frente ao restaurante do TCA (uma delícia de comida, por sinal). E, aí, passei em frente a um prédio público (segundo Alex Ferraz, é o Tribunal de Contas dos Municípios – eu não sei - ), ali no Campo Grande, que está em fase de recuperação, na confluência de Araújo Pinho e João das Botas. E o que vi: a calçada está sendo construída com pedrinhas portuguesas.
Sim, aquelas pedras que ficam desniveladas e causam acidentes horríveis para quem tem a infelicidade de passar sobre elas.
Como tive uma fasceíte plantar (inflamação na planta dos pés), aquele tipo de passeio é um suplício. Pior é que estamos em Salvador, Bahia, Brasil e não em Copenhague, na Dinamarca, e estas pedrinhas são colocadas com total assimetria e desnivelamento, o que, vale dizer, uma mulher que passe com seu salto alto, poderá sofrer severíssima queda ou, no mínimo, quebrar o salto.
Um idoso que passar no local, poderá torcer o pé de forma cruel.
Uma grávida poderá tomar um tombão que colocará em risco seu bebê.
É o tipo de calçada para pessoas superjovens com saúde nota 1.000, o que não é o caso de boa parte da população.
E, à primeira chuva, as pedras deslocam e vão na enxurrada, criando aqueles buracos horrorosos.
É por isso que gosto pra cara... daqueles passeios em concreto escovado com detalhes em granito que a Prefeitura colocou na Barra. Lisos, planos, perfeitos. Bonitos e impecáveis para quem gosta de andar, tenha 5 anos de idade ou 105 anos. Seja homem ou mulher.
E, aí, eu pergunto: por que insistem em fazer calçadas com estas ridículas pedrinhas portuguesas?
É pra me sacanear (sendo megalômano)?
É para sacanear os idosos?
É para sacanear as mulheres?
É para sacanear as grávidas?
É para sacanear os deficientes físicos?
E, o mais engraçado, o passeio está sendo construído junto da clínica de ortopedia mais famosa da cidade, o COT.
É ou não é uma cidade-piada-pronta esta nossa Salvador?
Rir é o melhor remédio

Se mal não fizer e pode fazer bem, faça.
Ricardo Líper
O moralismo tomista é engraçado. Se rir é o melhor remédio, qualquer risada é risada. Perguntei a uma dessas pessoas, tidas como muito otimistas e adepta dessas coisas todas como perdão incondicional etc., se rir dos outros também valia? Ela possivelmente não tinha atentado para as contradições de normas inflexíveis. E aí veio com o moralismo. Rir dos outros não pode. Ela está certa, por um lado, mas é ingênua por outro. Rir dos outros, "mangá" dos outros, apelida-los, fazer piada com os outros deve fazer bem sim, porque o corpo não identifica a origem do riso, o que interessa é o riso. Li que se você fizer apenas a careta do riso o cérebro o interpreta como riso e funciona da mesma maneira que se andar rindo à toa. Portanto, fingir que está rindo é também bom para a saúde. Entretanto, que motivo temos para rir vivendo em uma natureza aleatória e caótica, sem sentido e numa sociedade brutal, capitalista, onde todo mundo quer explorar os outros, os passar para trás, roubá-los para comprar, em geral, bugigangas.
Bem, sorrio com comédias, piadas. Eu não rio das vítimas, sou solidário a elas. Só rio dos seus algozes, quando não posso fazer coisa pior.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Perdoar ou não perdoar

Uma obra prima da literatura
Ricardo Líper
Circula com certa frequência e está virando moda que se a pessoa não perdoar os outros, adoece. Talvez até seja certo. Entretanto, desconfiado como sou, sempre questiono algumas dessas premissas que misteriosamente surgem nos órgãos de divulgação.
Primeiro, essa idéia de perdoar é uma idéia do Cristianismo. Idéia essa para os adeptos, mas não para os chefes da Igreja, ou Igrejas, porque na Inquisição e em outros momentos, a Igreja Católica pode demonstrar que o perdão nunca ocorreu. Nunca perdoou ninguém, muito pelo contrário, colocou todos na fogueira.
Não sei se médicos se pronunciam a respeito de não perdoar ser a causa de doenças terríveis. Mesmo que alguns apoiassem, seria irrelevante. Existe muita diferença entre médicos e cientistas. O cientista é, por exemplo, Fleming, que descobriu a penincilina. Médico, principalmente na atualidade, é um indivíduo preocupado em enriquecer porque é médico, decepcionado com essa perspectiva, estressado, agressivo, despeja, quase sempre, sua situação frustrante nos clientes. Ele pode até matar com a penicilina nas mãos, devido à pressa, à superficialidade dos seus procedimentos. O que alimenta o poder dos médicos e teorias como essa do perdão para todos, é que podem acontecer coisas com as pessoas e elas ficam em pânico.
Ir dormmir e não acordar, por exemplo. Médicos dirão coisas, como as rezadeiras também diziam. Se você acordar pode ter um sintoma bobo e depois de ir a seis médicos, ser de fato, uma doença séria, que nenhum deles vai resolver.
Gripe está matando, a comum, imagine... Aí aparece alguém e diz que se não perdoar vai ter câncer, morte súbita e todos os terrores possíveis. E sua autoestima fica como? A pessoa lhe humilha, é má, lhe agride gratuitamente, lhe persegue e você perdoa? Agora tem que perdoar com medo de ficar doente?
Então, em Israel, deveria ter um monumento a Hitler com os dizeres: "nós lhe perdoamos". Ou eu estou errado? Agora, não aconselho ficar remoendo a raiva. Está vendo que esse site também é de autoajuda. Nao tenha receio. Autoajuda é ótimo. Quem é contra são os acadêmicos, a maioria deles malucos ou sem caráter. Cuido deles outro dia. A vingança, bendito seja o Conde de Monte Cristo, é um prato para se comer frio. Não tem sentido se perder tempo com idiotas e doentes mentais que nos agrediram. Pensar neles, sentir raiva, é perda de tempo. Agora, quando eles passarem por perto ou a vida lhe presentear os colocando em suas mãos, chegará a hora da justiça divina, a sua. Sem estresse, sem nada que possa alterar sua pressão, sua divisão celular. Mostre o respeito que tem por si mesmo em uma ode à sua autoestima. As pessoas precisam aprender a respeitar as outras. E só aprenderão quando compreenderem que inimigos, por mais aparentemente simplórios que possam ser, são sim uma grande empecilho na vida. E para não tê-los, tem que respeitar o próximo. Se você não souber tratar seus inimigos como eles merecem, você não está contribuindo para a civilização. Você está sendo antididático. Agora, como já disse, seja habilíssimo. Não viva para eles, não pense neles, não tenha raiva à toa, espere o dia para lhes dar o troco. Se não ocorrer, outros darão, porque quem faz um inimigo fará mil. O melhor não é não perdoar, é respeitar o próximo e não ter inimigos. Uma pessoa presta se tem poucos ou quase nenhum inimigo. Uma pessoa que ninguém suporta ou só os que a temem a respeitam é um idiota, fascista que não vale nada. Se mede uma pessoa pelo número de inimigos que consegue fazer na vida. Se são excessivos, você está no seu direito de ser inimigo também.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Zelaya, Lula, Chavez, todos golpistas?

TOny pacheCO
Aprendam a ler, petistas golpistas. Eis, abaixo, o artigo da Constituição de Honduras que proíbe qualquer manobra para se alterar a Constituição visando instaurar a reeleição no pequeno, inexpressivo e paupérrimo país da América Central:
ARTICULO 239- El ciudadano que haya desempeñado la titularidad del Poder Ejecutivo no podrá ser Presidente o Designado.
El que quebrante esta disposición o proponga su reforma, así como aquellos que lo apoyen directa o indirectamente, cesarán de inmediato en el desempeño de sus respectivos cargos, y quedarán inhabilitados por diez años.
Traduzindo:
Artigo 239 – O cidadão que tenha desempenhado a titularidade do Poder Executivo não poderá ser Presidente ou Designado para tal novamente.
Aquele que violar esta disposição ou propor sua alteração, assim como aqueles que o apoiarem, direta ou indiretamente, serão afastados, imediatamente, de seus respectivos cargos, e estarão inabilitados por dez anos.
O que Zelaya fez para tentar burlar a Constituição de Honduras, que veta, permanentemente, a reeleição, sob qualquer forma? Propôs um plebiscito para que o povo dissesse se queria, ou não, a convocação de uma Assembléia Constituinte, pois uma nova Constituição permitiria a ele, finalmente, colocar um dispositivo permitindo reeleições permanentes, como Chavez fez na Venezuela e os lulistas começaram a ensaiar aqui no final do ano passado e início deste ano.
LULA É GOLPISTA?
O que todas as forças de esquerda do mundo sempre reclamaram foi da política americana de intervenção nos negócios internos de outros países, dando golpes, colocando e tirando presidentes.
O que Lula e sua “entourage” estão fazendo atualmente é exatamente O MESMO que os EUA faziam. Desrespeitando a Constituição de Honduras, querem restaurar, à força, um presidente que tentou um golpe branco contra o Congresso de seu país e contra a Suprema Corte, que consideraram a sua tentativa de burlar a Constituição totalmente ilegal (basta ler o artigo constitucional acima que isso fica claríssimo).
Olhe, sabe o que eu acho, de verdade?
Isso tudo parece ser manobra de Lula para tumultuar o cenário político, não em Honduras, mas, sim, aqui no Brasil. Criando uma balbúrdia desgraçada, porque os petistas já não sabem mais o que fazer para continuar no poder nas eleições de 2010.
A candidata Dilma parece que não vai mesmo. É rejeição total, inclusive dentro do próprio PT. Então, só resta instalar o mangue total no Brasil e no mundo para ver se conseguem alguma reforma no tapetão para Lula continuar no poder.
Porque, se não tentarem qualquer coisa, com certeza perderão o poder em 2010, seja para Serra, seja para Marina Silva e até para Ciro Gomes.
Quem viver, verá!
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Nostalgia, por que não?
Alex Ferraz
Vira e mexe ouço comentários de psicanalistas condenando a nostalgia. Seria prejudicial à nossa saúde mental ficar remoendo tempos idos, achando que eram melhores que os de hoje. Devemos viver o presente, quem sabe o futuro (?), nunca remoer o passado. Estamos a caminho da melhor idade, quando nosso intelecto supera nossa selvageria física e blá, blá, blá.
Tudo bem. Até concordo que uma pessoa que nasceu e viveu em Copenhague, Estocolmo, Viena etc. nos últimos 50 ou 60 anos não tenha a menor tendência para nostalgia. Afinal, vive na civilidade desde que nasceu e os tempos idos eram tão bons como o tempo presente, aliado, este, aos avanços na medicina, tecnologia etc. etc.
Mas, ora, quem nasceu nisto a que se chama Brasil, uma bela e fértil terra transformada em capitanias de poucos e miséria para a maioria por uma sucessão de calhordas no governo, tem, sim, muita razão para ser nostálgico. Como não achar que meus tempos idos eram bem melhores, se, no final da década de 1960, eu podia sair de uma festinha na Barra, bêbado feito um gambá, e chegar são e salvo em casa, nos Barris, quase quatro quilômetros depois, em plena madrugada, sem qualquer risco de assalto, de ser atacado por um sacizeiro?
Como não ser nostálgico se, naquela mesma época, meus colegas de colégio, tanto privado como público, eram pessoas que, além de brincarem como crianças normais, raciocinavam, pensavam, discutiam, criavam, a despeito da maldita ditadura, esta, sim, única coisa que não deixou saudades, pelo contrário, uma sede de vingança? Como comparar aqueles meus colegas de escola (havia pobres, remediados e ricos, juntos) às bestas feras que hoje entopem os colégios, formadas que foram por pais que também se imbuíram do bestaferismo reinante?
Como não ser nostálgico se, no final da década de 1960, na fabulosa praia do Porto da Barra, a gente deixava as roupas e até carteira com dinheiro na areia, ia mergulhar, e ficava só olhando de longe? Quando o local estava muito cheio, o máximo que fazíamos era pedir para o vizinho "dar uma olhada"... Hoje é bem provável que você sequer chegue à areia com seus pertences, pois pode ser assaltado na escadaria. E morto!
Podem argumentar os saudáveis conselheiros da eterna presença na realidade que, por exemplo, a medicina, hoje, avançou bastante e a estatinas, mais AAS, mas dietas novas, mais doses disso e daquilo, mais safenas e stents fazem seu coração bater firme por muito, muito mais anos do que antigamente. Aliás, essas coisas podem fazer seu coração bater firme por tanto, tanto tempo, que você acaba vivendo o suficiente para ter vergonha do seu corpo, esparramando-se horizontalmente pela inexorável ação da força da gravidade.
Podem lembrar ainda, de forma supérflua, para convencer-me de que vivo em um "mundo melhor", que os avanços tecnológicos nos proporcionaram, por exemplo, carros mais seguros e eficientes. Afinal, não temos mais, digamos, o carburador, que entupia a cada centena de quilômetros rodados e fazia o carro parar no meio da rua ou da estrada. E eu respondo: parava, sim, no meio da estrada, e você até dormia dentro do carro à espera de ajuda mecânica, porque certamente não apareceria um bando de facínoras drogados para lhe tirar tudo, inclusive a vida! Você podia parar, por defeito no carro, em qualquer rua ou avenida da cidade e se não houvesse mais ônibus nem achasse táxi, seguir a pé até em casa, preocupado apenas em não dar uma topada ou pisar em bosta de cachorro, no escuro.
Podem argumentar ainda que temos hoje o SUS, esta beleza (sic) de sistema de saúde ultra socializado, enquanto "naquela época" havia poucos hospitais. Talvez. Mas naquela época os médicos sabiam o que faziam, ao contrário de hoje, quando tudo é "uma virose" após um atendimento relâmpago de um ou dois minutos em um posto do SUS, em diagnóstico dado por médicos estressados e malformados.
Sou soteropolitano, com fortes raízes no interior (minha família é de Vitória da Conquista e Itapetinga). E vivi, no interior, em aprazíveis campos verdes e pequenas cidades outras, um tempo em que, literalmente, dormia-se com as janelas abertas. Hoje, a pequena cidade de Itambé, com míseros 35 mil habitantes, tem tráfico de cocaína e crack, crimes hediondos e qualquer descuido pode transformar você em vítima de um assalto ou assassinato.
E os petistas de plantão podem alegar que hoje "o povo" recebe atenção social do governo. Recebe, sim. Uma esmola que não chega a R$ 100 mensais para votar eternamente nos candidatos do partido. Está tão humilhado como antes, nos tempos dos coronéis (Sarney, protegido de Lula, e suas fazendas que o digam!), quando trabalhavam de forma semi-escrava e gastavam compulsoriamente tudo o que ganhavam nos armazéns dos próprios coronéis, com comida e talvez um cigarro e uma cachaça.
Não houve evolução alguma. A não ser para os espertalhões que, com o discurso da justiça social, conquistam cargos de poder, ficam bilionários e lançam moedas à plebe. Assim mesmo, em qualquer lugar de Salvador e de outras cidades do Brasil, podem ser vistas dezenas, centenas, milhares de pessoas, entre adultos e crianças, pedindo comida e fuçando o lixo de restaurantes.
Como não achar que os tempos idos eram melhores, pelo menos neste Brasil dominado por uma burguesia selvagem e burra e líderes oportunistas? E, lembrando Ulysses Guimarães ("Este Congresso é pior do que o anterior e melhor do que o próximo"), podemos dizer que não há qualquer indício de que devamos pensar num futuro melhor. Talvez pensar no futuro, sim, para criarmos mais armas de proteção contra a tragédia em que se transformou a população brasileira.
SEM INIMIGOS
A propósito, lembro-me que, antigamente, havia inimigos políticos. Jamais se falavam, odiavam-se, alguns até com muita classe, outros mesmo na bala. Hoje,não há mais inimgios. Tudo faz parte de uma "estratégia" de governabilidade.
Olha, para mim não existe caráter em um mundo onde só há amigos. Um mundo sem inimigos é utopia ou a concretização da hipocrisia.
Vira e mexe ouço comentários de psicanalistas condenando a nostalgia. Seria prejudicial à nossa saúde mental ficar remoendo tempos idos, achando que eram melhores que os de hoje. Devemos viver o presente, quem sabe o futuro (?), nunca remoer o passado. Estamos a caminho da melhor idade, quando nosso intelecto supera nossa selvageria física e blá, blá, blá.
Tudo bem. Até concordo que uma pessoa que nasceu e viveu em Copenhague, Estocolmo, Viena etc. nos últimos 50 ou 60 anos não tenha a menor tendência para nostalgia. Afinal, vive na civilidade desde que nasceu e os tempos idos eram tão bons como o tempo presente, aliado, este, aos avanços na medicina, tecnologia etc. etc.
Mas, ora, quem nasceu nisto a que se chama Brasil, uma bela e fértil terra transformada em capitanias de poucos e miséria para a maioria por uma sucessão de calhordas no governo, tem, sim, muita razão para ser nostálgico. Como não achar que meus tempos idos eram bem melhores, se, no final da década de 1960, eu podia sair de uma festinha na Barra, bêbado feito um gambá, e chegar são e salvo em casa, nos Barris, quase quatro quilômetros depois, em plena madrugada, sem qualquer risco de assalto, de ser atacado por um sacizeiro?
Como não ser nostálgico se, naquela mesma época, meus colegas de colégio, tanto privado como público, eram pessoas que, além de brincarem como crianças normais, raciocinavam, pensavam, discutiam, criavam, a despeito da maldita ditadura, esta, sim, única coisa que não deixou saudades, pelo contrário, uma sede de vingança? Como comparar aqueles meus colegas de escola (havia pobres, remediados e ricos, juntos) às bestas feras que hoje entopem os colégios, formadas que foram por pais que também se imbuíram do bestaferismo reinante?
Como não ser nostálgico se, no final da década de 1960, na fabulosa praia do Porto da Barra, a gente deixava as roupas e até carteira com dinheiro na areia, ia mergulhar, e ficava só olhando de longe? Quando o local estava muito cheio, o máximo que fazíamos era pedir para o vizinho "dar uma olhada"... Hoje é bem provável que você sequer chegue à areia com seus pertences, pois pode ser assaltado na escadaria. E morto!
Podem argumentar os saudáveis conselheiros da eterna presença na realidade que, por exemplo, a medicina, hoje, avançou bastante e a estatinas, mais AAS, mas dietas novas, mais doses disso e daquilo, mais safenas e stents fazem seu coração bater firme por muito, muito mais anos do que antigamente. Aliás, essas coisas podem fazer seu coração bater firme por tanto, tanto tempo, que você acaba vivendo o suficiente para ter vergonha do seu corpo, esparramando-se horizontalmente pela inexorável ação da força da gravidade.
Podem lembrar ainda, de forma supérflua, para convencer-me de que vivo em um "mundo melhor", que os avanços tecnológicos nos proporcionaram, por exemplo, carros mais seguros e eficientes. Afinal, não temos mais, digamos, o carburador, que entupia a cada centena de quilômetros rodados e fazia o carro parar no meio da rua ou da estrada. E eu respondo: parava, sim, no meio da estrada, e você até dormia dentro do carro à espera de ajuda mecânica, porque certamente não apareceria um bando de facínoras drogados para lhe tirar tudo, inclusive a vida! Você podia parar, por defeito no carro, em qualquer rua ou avenida da cidade e se não houvesse mais ônibus nem achasse táxi, seguir a pé até em casa, preocupado apenas em não dar uma topada ou pisar em bosta de cachorro, no escuro.
Podem argumentar ainda que temos hoje o SUS, esta beleza (sic) de sistema de saúde ultra socializado, enquanto "naquela época" havia poucos hospitais. Talvez. Mas naquela época os médicos sabiam o que faziam, ao contrário de hoje, quando tudo é "uma virose" após um atendimento relâmpago de um ou dois minutos em um posto do SUS, em diagnóstico dado por médicos estressados e malformados.
Sou soteropolitano, com fortes raízes no interior (minha família é de Vitória da Conquista e Itapetinga). E vivi, no interior, em aprazíveis campos verdes e pequenas cidades outras, um tempo em que, literalmente, dormia-se com as janelas abertas. Hoje, a pequena cidade de Itambé, com míseros 35 mil habitantes, tem tráfico de cocaína e crack, crimes hediondos e qualquer descuido pode transformar você em vítima de um assalto ou assassinato.
E os petistas de plantão podem alegar que hoje "o povo" recebe atenção social do governo. Recebe, sim. Uma esmola que não chega a R$ 100 mensais para votar eternamente nos candidatos do partido. Está tão humilhado como antes, nos tempos dos coronéis (Sarney, protegido de Lula, e suas fazendas que o digam!), quando trabalhavam de forma semi-escrava e gastavam compulsoriamente tudo o que ganhavam nos armazéns dos próprios coronéis, com comida e talvez um cigarro e uma cachaça.
Não houve evolução alguma. A não ser para os espertalhões que, com o discurso da justiça social, conquistam cargos de poder, ficam bilionários e lançam moedas à plebe. Assim mesmo, em qualquer lugar de Salvador e de outras cidades do Brasil, podem ser vistas dezenas, centenas, milhares de pessoas, entre adultos e crianças, pedindo comida e fuçando o lixo de restaurantes.
Como não achar que os tempos idos eram melhores, pelo menos neste Brasil dominado por uma burguesia selvagem e burra e líderes oportunistas? E, lembrando Ulysses Guimarães ("Este Congresso é pior do que o anterior e melhor do que o próximo"), podemos dizer que não há qualquer indício de que devamos pensar num futuro melhor. Talvez pensar no futuro, sim, para criarmos mais armas de proteção contra a tragédia em que se transformou a população brasileira.
SEM INIMIGOS
A propósito, lembro-me que, antigamente, havia inimigos políticos. Jamais se falavam, odiavam-se, alguns até com muita classe, outros mesmo na bala. Hoje,não há mais inimgios. Tudo faz parte de uma "estratégia" de governabilidade.
Olha, para mim não existe caráter em um mundo onde só há amigos. Um mundo sem inimigos é utopia ou a concretização da hipocrisia.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Salvador, Salvador, Terra de Muita Dor.

Cigano em Hospital Nazista
Ricardo Líper
Você precisa se internar em um hospital. Paga, mensalmente, um seguro saúde. Anos a fio pagando esse seguro. Pensa que vai ser internado. Não vai não. Não tem vaga em hospital nenhum de Salvador, nunca. Precisa de pistolão. Quarto é quase impossível: lhe encaminham da emergência para a semi-UTI. Lá, você pode pegar um germe resistente e morrer.
Morreu de quê? De baianidade, de brasilidade. Faça um teste, ligue para os principais hospitais e queira uma vaga em um apartamento. Depois diga se eu não tenho razão. Anos e anos sem se contruir nem investir em hospitais. Os hospitais públicos não necessitam comentários. É um filme de terror, onde o sofrimento dos campos de concentração nazistas é café pequeno. Aliás, todos eles, públicos e privados. Câmaras de torturas. Espero ver o dia em que todos os responsáveis estarão em um novo Nuremberg respondendo por isso.
E o pior, quando estamos doentes ou parentes queridos estão doentes é o momento que estamos mais carentes, precisando de atenção, respeito e consolo. E então, entramos em um campo de concentração nazista com verdadeiros carrascos.
Salvador, Salvador, terra de muito horror. Morar em Salvador é correr sérios riscos de morte. Atente para isso. Verifique. Comprove. Brinque e sofrerá as consequências.
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